Um Feliz e Santo Natal e um Santo Ano de 2014!

24/12/2013 Apostolado Mulher Católica Nenhum comentário
Por Melissa Bergonso
Hoje é véspera de Natal, véspera do nascimento de Jesus Cristo, nosso Salvador. Mas você sabe, exatamente, por que Jesus é nosso Salvador e por que ele veio nos salvar?

"Adoração dos Pastores" - Bartolomé Steban Murillo
“Adoração dos Pastores” – Bartolomé Steban Murillo

Tudo começou com nossos primeiros pais, Adão e Eva. Deus os criou em estado de justiça original ou também chamada de estado de inocência, que é um estado de santidade e de ventura, e se Adão e Eva lhes fossem fiéis, Deus lhes daria o céu como recompensa. Neste estado de inocência, nossos primeiros pais possuíam dotes naturais e sobrenaturais, no corpo e na alma. Quanto ao corpo, o homem não possuía qualquer sofrimento ou dor, nem incômodos ou doenças, e não tinha de morrer. Quanto à alma, ela possuía todos os dons naturais e também, Deus, pela sua infinita bondade, lhe ajuntou dons sobrenaturais. Na ordem natural, a inteligência do homem era perfeita, isenta de trevas e de ignorância; sua vontade sempre tendia ao bem, nunca ao mal; seu coração sempre se voltava espontaneamente a Deus e ao que é bom, sem nunca sentir o peso da concupiscência, ou seja, aquela inclinação aos prazeres sensuais. Na ordem sobrenatural, as luzes que Deus comunicava à alma de nossos primeiros pais eram mais perfeitas que as da razão, conversava com eles, permitia que o amassem, e ainda acrescentava a promessa de fazê-los participar da sua própria ventura na eternidade. Em suma, Adão e Eva possuíam a graça santificante, que é o princípio de santidade, caridade e glória.[1]
Mas, para que nossos primeiros pais conservassem todos estes dons, naturais e sobrenaturais, Deus lhes deu uma única condição: eles não poderiam comer do fruto de uma árvore, chamada Árvore da ciência do bem ou do mal. Se eles comessem desse fruto, morreriam, ou seja, perderiam todos os dons extraordinários e sobrenaturais, próprios do estado de inocência, para si mesmos e para todos os seus descendentes. Então, Eva, seduzida pela serpente e desobedecendo a Deus, comeu o fruto e deu-o a Adão, que também o comeu. Nossos primeiros pais, então, perderam a graça santificante, tiveram seus dons naturais diminuídos, ficaram privados da visão sobrenatural de Deus e comunicaram aos seus descendentes este estado de decadência.[2]
Essas consequências foram graves. A perda da justiça original ou graça santificante resultou na perda da amizade de Deus e de todos os privilégios que estavam ligadas a ela. O homem só conservou as faculdades essenciais da natureza humana. Seus dons naturais foram diminuídos. Assim, quanto ao corpo, sentiram o cansaço do trabalho, a dor, a doença e a morte; quanto à alma, sua inteligência ficou nebulosa pelas trevas e pela ignorância, sua vontade sucumbia à inclinação ao mal e à malícia; e na sensibilidade, a concupiscência dominava levando-os a procurar apenas o prazer sensível. Por se tornarem objeto de horror aos olhos de Deus, foram despojados de todo o direito à visão e à posse sobrenatural de Deus, ou seja, perderam o direito ao céu. Adão e Eva, já não possuindo mais a graça nem seus privilégios, não os podiam transmitir aos seus descendentes; assim, a única coisa que podiam lhes comunicar era este estado de decadência. Isto é o que se denomina pecado original.[3]
São Luís Maria Grignion de Monfort, ao falar da Sabedoria Eterna, ou seja, de Jesus Cristo, explica que:

Poder-se-á afirmar que ela [a Sabedoria Eterna] fez, por assim dizer, uma cópia ou imagem resplandecente de sua inteligência, da sua memória, da sua vontade, infundindo-as na alma do homem, a fim de que este pudesse ser um retrato vivo da Divindade (Cf. Gen 1, 26: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”). Acendeu-lhe no coração a chama do puro amor de Deus; plasmou-lhe um corpo todo resplandecente e nele encerrou, como que em síntese, todas as diferentes perfeições dos anjos, dos animais e das outras criaturas.

Tudo no homem era luminoso, sem trevas; formoso, sem fealdade; puro, sem mancha alguma; harmonioso, sem qualquer desordem, sem defeito e sem imperfeição. O seu espírito era dotado da luz da Sabedoria para reconhecer perfeitamente o seu Criador e as criaturas. Trazia na sua alma a graça de Deus, tornando-o inocente e aprazível aos olhos do Altíssimo.

Tinha o dom da imortalidade corporal e possuía no coração puro amor de Deus, sem temer a morte, e amava a Deus continuamente, sem interrupção, sem negligências, só por puro amor e só para a sua glória. Enfim, ele era de tal maneira divino que era levado a cada momento, por assim dizer, a ficar fora de si, arrebatado em Deus, sem paixões a vencer ou inimigos a combater.

Ó liberalidade da Sabedoria eterna para com o homem!

Ó feliz estado do homem quando da Sua inocência!

Mas!… Ó desgraça das desgraças!… Eis que esse vaso todo divino fragmentou-se em mil pedaços; a esplendorosa estrela caiu por terra; o sol brilhante cobriu-se na lama! Eis aí o homem que peca e, pecando, perde a sua sabedoria, a sua inocência, a sua formosura e imortalidade. Perde, enfim, todos os bens que tinha recebido e vê-se agora assaltado por uma infinidade de males!

O homem tem o seu espírito todo embotado de trevas: já não vê mais nada. Tem o seu coração gélido para com Deus e já não O ama; a sua alma está manchada pelo pecado, assemelhando-se aos demônios. Tornam-se-lhe desordenadas as paixões, que já não controla. Resta-lhe a companhia dos demônios, de quem se torna morada e escravo. Vê-se atacado pelas criaturas, que lhe fazem guerra.

Eis aí o homem que, num ápice, se tornou num escravo do demônio, no objeto da ira divina (Ef 2, 3) e na vítima do inferno.

Sente-se a si mesmo de tal maneira hediondo que, por vergonha, corre a esconder-se. É amaldiçoado e condenado à morte; é expulso do paraíso terrestre e não tem mais direito ao céu. É condenado a levar uma vida sem qualquer esperança de ser feliz: é um desgraçado a vaguear sobre uma terra amaldiçoada. E será como maldito que ele morrerá, para, depois da morte, se tornar como demônio, condenado para sempre no corpo e na alma. E tudo isto para si mesmo e sua descendência.

Tal foi a desgraça tremenda em que o homem veio a cair, depois do pecado; tal foi a merecida sentença que a justiça divina pronunciou contra ele.[4]

Mas Deus não abandonou o homem à sua própria sorte. Ele se compadeceu da desgraça de Adão e de sua descendência. Porém, para reparar o pecado cometido contra Deus, era preciso um medianeiro que fosse equiparavelmente santo, capaz de expiar o crime de Adão e acalmar a ira divina. O pecado de Adão, nosso primeiro pai, e todos os pecados que a este tinham seguido, foi de ordem infinita, e o homem, criatura limitada, finita e culpada, não poderia oferecer a Deus uma reparação infinita, no grau da ofensa cometida. Assim, Jesus Cristo, a Sabedoria Eterna e Encarnada, fez-se homem, tomou nossa natureza para assumir a responsabilidade da raça humana. Jesus, igual em tudo a seu Pai, inocente, santo e infinito, era o único capaz de satisfazer a justiça divina. Todas as Suas obras, orações, trabalhos, sofrimentos e Sua morte tinham valor infinito, de modo que, dessa forma, a reparação foi perfeitamente igual à ofensa, e infinita como ela, Jesus nos remiu. Este é o mistério da Redenção.[5]

São Luís faz uma explicação muito bonita desse momento em que a Sabedoria Eterna se ofereceu para remir a raça humana:

A Sabedoria, não vendo no universo algo capaz de expiar o pecado do homem, de reparar a justiça e aplacar a ira de Deus e querendo, apesar de tudo, salvar o pobre homem que ama, encontra um meio admirável.

É de pasmar: o amor incompreensível vai até aos extremos! Eis que a amorosa e real Princesa [a Sabedoria Eterna] oferece-se a si mesma, em sacrifício ao Pai, para reparar a sua justiça, para aplacar a sua cólera, para arrancar o homem da escravidão do demônio, para livrá-lo das chamas do inferno e para merecer-lhe uma eternidade feliz.

A sua oferta é aceita; é tomada uma decisão: a Sabedoria Eterna, isto é, o Filho de Deus, far-se-á homem no momento oportuno e dentro de parâmetros estabelecidos.

No período dos milênios que passaram desde a criação e desde o pecado de Adão até à Encarnação da Sabedoria Divina, tanto Adão como os seus descendentes morreram, tal como estava fixado na lei de Deus; porém, em previsão dos méritos da encarnação do Filho de Deus, receberiam a graça do cumprimento dos mandamentos e do exercício duma digna penitência em caso de transgressão; e assim, se eventualmente tivessem morrido em graça e na amizade de Deus, então as suas almas desceriam ao limbo, esperando ali a vinda do Salvador e Libertador, para lhes abrir as portas do Paraíso.[6]


Então, Jesus nasceu, para salvar o homem da sua decadência e do seu estado de pecado e de morte, para nos remir do pecado dos nossos primeiros pais, para nos abrir os portões do céu, fechados por causa do pecado original, por causa da desobediência de Adão e Eva. E é por isto que o dia de Natal é um dia de grande festa para nós, cristãos! Não porque é um “dia bonitinho”, com decorações ridículas de “papai noel” e “duendes com tocas de jujuba”, e que também não se resume somente à uma ceia e à troca de presentes. O dia de Natal é muito maior que isso, e ele deve ser comemorado como Jesus merece: com as famílias rezando o santo Rosário, indo à Missa, reunindo-se com verdadeiro espírito de amor e recolhimento, como os pastores e os Reis Magos à beira da manjedoura, contemplando Jesus Menino recém nascido em silêncio e adoração. Nosso coração, livre e despojado de nós mesmos, deve ser o nosso presente para Jesus neste dia de hoje. Trocar presentes em família pode até ser divertido, mas não é disso que o Natal é feito. Hoje Jesus é o anfitrião da festa, é Ele quem deve ganhar o maior presente que podemos dar: nosso amor, nosso coração, nossa firme resolução de não ofendê-Lo e de amá-Lo para todo o sempre.

Um Feliz e Santo Natal a todos!!!! E um Santo Ano de 2014 que logo se aproxima!

O blog estará em recesso até meados de Janeiro.

Fiquem com Deus!
Salve Maria Puríssima!!

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[1] Monsenhor CAULY. Curso de Instrução Religiosa. Tomo I. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1924, p.37-38.
[2] Ibidem, p.38-39.
[3] Ibidem, p.40-41.
[4] São Luís Maria Grignion de MONTFORT. O Amor da Sabedoria Eterna. n.37-39.
[5] CAULY. Ibidem, p.65.
[6] MONTFORT. Ibidem, n.45-46.

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