A cultura e o crescimento da Árvore da Vida ou A maneira de fazer viver e reinar Maria em nossas almas

Por São Luís Maria Grignion de Montfort

I. A Santa Escravidão de amor é a verdadeira Árvore da Vida

Nossa Senhora

Compreendeste, alma predestinada, pela operação do Espírito Santo, o que acabo de dizer? Agradece-o a Deus! É um segredo desconhecido de quase todos. Se achaste o tesouro escondido no campo de Maria, a pérola preciosa do Evangelho, é preciso vender tudo para adquiri-la; é necessário o sacrifício de ti mesmo nas mãos de Maria, e que alegremente te percas n’Ela para aí encontrar somente Deus.

Se o Espírito Santo plantou em tua alma a verdadeira Árvore da Vida, que é a devoção que acabo de explicar, é preciso que cultives com o máximo cuidado, a fim de que frutifique no devido tempo. Esta devoção é o grão de mostarda de que fala o Evangelho, o qual, ao que parece, o menor de todos os grãos, torna-se todavia bem grande e se eleva tão alto que as aves do Céu, quer dizer os predestinados, aí fazem o seu ninho e repousam à sombra durante o calor do Sol e aí se escondem, em segurança, dos animais ferozes.

II. A maneira de cultivá-la

Eis, alma predestinada, a maneira de cultivá-la:

Nenhum apoio humano


1º) Sendo esta árvore plantada em um coração bem fiel, quer estar em pleno vento, sem nenhum apoio humano; sendo divina, quer estar sempre sem nenhuma criatura, a qual poderia impedi-la de elevar-se para seu princípio que é Deus. Assim, não se deve absolutamente apoiar-se em sua indústria ou em seus talentos puramente naturais, ou no crédito ou na autoridade dos homens: É NECESSÁRIO RECORRER A MARIA E APOIAR-SE EM SEU SOCORRO.

Olhar contínuo da alma


2º) É preciso que a alma, na qual esta árvore está plantada, esteja incessantemente ocupada como um bom jardineiro, a cuidá-la e a repará-la. Pois esta árvore, sendo viva e devendo produzir um fruto de vida, quer ser cultivada e aumentada por UM CONTÍNUO OLHAR DA ALMA, e consequentemente uma alma perfeita há de n’Ela pensar continuamente, dela fazer sua principal ocupação.

Violência a si próprio


3º) É preciso arrancar e cortar os cardos e os espinhos que com o tempo poderiam sufocar esta árvore, ou impedi-la de produzir fruto: quer dizer, ser fiel em cortar e podar, pela mortificação e violência a si próprio, todos os PRAZERES INÚTEIS e as vãs ocupações com as criaturas; ou por outra, crucificar a carne, GUARDAR O SILÊNCIO, mortificar os sentidos.

Nada de amor próprio


4º) É necessário velar para que as lagartas não a prejudiquem em nada. Essas lagartas são o amor de si mesmo e das comodidades, as quais comem as folhas verdes e as belas esperanças que a Árvore tinha do fruto: pois O AMOR DE SI MESMO E O AMOR DE MARIA NÃO SE TOLERAM ABSOLUTAMENTE.

Horror ao pecado

5º) Não se deve deixar que as feras se aproximem dela. Essas feras são os pecados, que poderiam matar a Árvore da Vida pelo simples contato; nem mesmo seu hálito deve atingi-la, quer dizer, os PECADOS VENIAIS, QUE SÃO SEMPRE MUITO PERIGOSOS se  não se faz caso deles.

Fidelidade aos exercícios


É necessário regar continuamente essa árvore divina com a Comunhão, a Santa Missa e outras orações públicas e particulares; sem O QUE ESSA ÁRVORE DEIXARIA DE FRUTIFICAR.

Paz nas provações


6º) Não nos devemos preocupar se for sacudida pelo vento, pois é necessário que a combata o vento das tentações para fazê-la tombar, que as neves e as geadas a rodeiem para perdê-la; quer dizer que esta devoção à Santa Virgem SERÁ NECESSARIAMENTE ATACADA E CONTRADITA; porém desde que se persevere em cultivá-la, não há nada a temer.

III. O fruto da Árvore da Vida é o amável e adorável Jesus

Maria, a Árvore da Vida

Alma predestinada, se tu cultivas assim a tua Árvore da Vida, plantada de novo pelo Espírito Santo em tua alma, eu te asseguro que em POUCO TEMPO CRESCERÁ TÃO ALTO que as aves do Céu aí habitarão, e TORNAR-SE-Á TÃO PERFEITA que afinal dará seu fruto de honra e de graça a seu tempo, quer dizer o AMÁVEL E ADORÁVEL JESUS que sempre foi e que será sempre o ÚNICO FRUTO DE MARIA.

Feliz uma alma na qual Maria, a Árvore da Vida, é plantada; mais feliz aquela na qual ela dá seu fruto; porém a MAIS FELIZ DE TODAS É AQUELA QUE APRECIA E CONSERVA SEU FRUTO até à morte e nos séculos dos séculos. Assim seja!
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São Luís Maria Grignion de MONTFORT. O Segredo de Maria. n. 70-78.

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