Como se deve pedir o divino auxílio e da confiança em recuperar a graça

21/10/2013 Meditações sobre a Graça 9 Comentários
Por Melissa Bergonso
Sabe aquele dia em que você se pega a pensar sobre a sua vida, fazer uma retrospectiva, e de repente você se depara com frustrações, sofrimentos, feridas que não foram cicatrizadas, ou mesmo pedidos feitos a Deus que não foram atendidos? Nessas horas, muitas vezes, pensamentos ruins nos assaltam e alguns questionamentos começam a amargurar nosso coração. Então, neste momento, antes de permitir à nossa imaginação criar histórias e personagens irreais, que ainda podem minar nossa esperança e fé em Deus, o melhor que temos a fazer é recorrer à oração e ler alguma meditação cristã, de algum livro espiritual.
Nos dias de preparação para a minha Consagração de Escravidão a Jesus Cristo pelas mãos de Maria Santíssima eu me deparei com um texto que me deu muito conforto e me fez refletir em muitas coisas que me causavam extrema angústia. Por esta razão, quero dividi-lo com vocês. O texto chama-se “Como se deve pedir o divino auxílio e da confiança em recuperar a graça”, da Imitação de Cristo, escrito por Tomás de Kempis. Ô livrinho santo! Não é à toa que Santa Teresinha o tinha decorado todinho! Eis o texto:

Como se deve pedir o divino auxílio e da confiança em recuperar a graça

1. CRISTO: — Filho, sou eu o Senhor que conforta no dia da tribulação. Vem a mim, quando não te sintas bem.
O que mais impede a consolação celestial é que somente tarde recorres à oração.
Antes que recorras, insistentemente, a mim, buscas muitas consolações e te recreais com as coisas exteriores.
Daqui vem que tudo pouco te aproveita, até que reconheças que sou eu quem salva os que em mim esperam e que, fora de mim, não há auxílio eficaz, nem conselho útil, nem remédio durável.
Uma vez, porém, que recobraste o ânimo, após a tormenta, reanima-te à luz das minhas misericórdias, pois estou perto de ti, diz o Senhor, para restaurar tudo, não só integralmente, mas também com abundância e profusão.
2. Porventura haverá alguma coisa difícil para mim? Serei eu semelhante ao que diz e não faz?
Onde está a tua fé? Sê firme e perseverante. Sê varão forte e de grande ânimo; a seu tempo virá a consolação.
Espera-me; virei e curar-te-ei.
O que te acabrunha é uma tentação; é um temor vão que te amedronta.
De que serve a preocupação por um futuro incerto, senão para que tenhas tristeza sobre tristeza? A cada dia basta o seu mal.
Vão e inútil é entristecer-se ou alegrar-se com coisas que talvez nunca aconteçam.
3. É próprio, porém, do homem deixar-se iludir com semelhantes imaginações e indício de ânimo apoucado ceder tão facilmente às sugestões do inimigo.
Porque ele não cuida se é por meios verdadeiros ou falsos que te seduz e engana, ou se te derriba e perde por amor das coisas presentes ou com o temor dos males futuros.
Não se perturbe, pois, nem tema o teu coração.
Crê em mim e tem confiança em minha misericórdia.
Quando te julgas mais afastado de mim, muitas vezes estou mais perto.
Quando cuidas que está tudo quase perdido, é então, de ordinário, o tempo de adquirires maior mérito.
Não está tudo perdido, porque te acontece alguma coisa contrária.
Não julgues segundo a impressão do momento; nem te entregues a quaisquer aflições que te acometam, nem as recebas como se não houvesse esperança alguma de remédio.
4. Não te imagines, de todo, abandonado, ainda quando, por certo tempo, te mande alguma provação ou te prive do desejado conforto; assim é que se caminha para o reino dos céus.
É, sem dúvida, mais útil a ti e aos outro servos meus serdes provados pelas adversidades, que suceder-vos tudo segundo os vossos desejos.
Conheço os mais recônditos pensamentos; sei que é assaz e vantajoso à tua salvação que, algumas vezes, fiques desconsolado, para que não te desvaneças com o bom êxito e tenhas complacência de ti mesmo, como se fosses o que não és.
O que eu dei posso tirar e restituir, quando me aprouver.
5. Quando eu dou, dou do que é meu e, quando tiro, não tomo o que é teu, porque de mim procede toda dádiva boa e todo dom perfeito.
Se te enviar algum trabalho ou contrariedade, não te exasperes, nem desfaleça teu coração.
Posso, num momento, aliviar-te e mudar em alegria a tua tristeza.
Todavia, sou justo e mui digno de louvores, quando procedo assim contigo.
6. Se julgas retamente e vês na luz da verdade, nunca te deves contristar tanto com as adversidades; senão alegrar-te e render-me ações de graças.
Deve até ser tua alegria que eu te aflija com dores e não te poupe.
Como o Pai me amou, assim eu vos amei a vós, disse aos meus queridos discípulos; entretanto não os mandei às delícias temporais, mas a grandes combates; não às honras, mas ao desprezo; não à ociosidade, mas ao trabalho; não ao descanso, mas para produzirem copiosos frutos pela paciência.
Lembra-te, meu filho, destas palavras.

(Tomás de Kempis. Imitação de Cristo. Livro III, capítulo XXX.)

Salve Maria Santíssima!

Comentários ( 9 )

  • Oi, Melissa!
    Eu li esse texto do Imitação há mais ou menos um mês atrás e foi realmente providencial para o momento que estou vivendo!

    Infelizmente, muitas vezes nos pegamos a duvidar quando Deus não nos atende, tem horas que parece que todos são agraciados e nós ficamos esquecidos, mas tudo isso é tentação do inimigo de Deus que sempre quer nos ver tristes, pois a tristeza também é um pecado.

    Eu fiquei atenta especialmente a esta parte:

    “Vão e inútil é entristecer-se ou alegrar-se com coisas que talvez nunca aconteçam. (…)
    5. Quando eu dou, dou do que é meu e, quando tiro, não tomo o que é teu, porque de mim procede toda dádiva boa e todo dom perfeito.”

    Temos muito que refletir sobre isso!
    Salve Maria!

    • Oi, Débora!!

      Eu não sei dizer se a tristeza, em si, é um pecado, porque nem sempre queremos ficar tristes. A tristeza pode ser um sentimento colocado em nós pelo demônio para nos desviar do caminho da perfeição. Nas “Regras para o discernimento dos espíritos”, de St. Inácio de Loyola, está escrito que:

      “Nas pessoas que se vão purificando intensamente dos seus pecados e caminham no serviço de Deus Nosso Senhor, de bem a melhor, o bom e o mau espírito operam em sentido inverso ao da regra precedente. Porque neste caso é próprio do mau espírito causar tristeza e remorsos de consciência, levantar obstáculos e perturbá-las com falsas razões para as deter no seu progresso.”

      A partir dessa regra, Santo Inácio de Loyola deu seis indicações para reconhecermos o espírito mau, sendo a primeira delas a tristeza. Então acho que não dá pra dizer que a tristeza, em si, é um pecado, mas pode levar ao pecado por ir minando, na alma, a confiança em Deus e a sujeição, humilde, à Sua Santa Vontade.

      Este ponto 5 é o que nos cala mesmo, porque às vezes queremos reivindicar coisas como se tivéssemos direito a elas, como se fossem nossas. De fato, é algo para se refletir muito!!

      Beijos e fica com Deus!
      Salve Maria!!

    • Oi, Melissa, Salve Maria!

      Eu não estava falando dessa tristeza pelos pecados, mas da outra tristeza que como você disse nos leva a querer “reivindicar coisas como se tivéssemos direito a elas” e quando vemos que Deus não nos atende ficamos em profunda tristeza, é dessa que eu estava falando.

      Bjs

    • Oi, Débora! Salve Maria!

      Hmm… mas ainda não sei dizer se o “sentimento de tristeza” para qualquer situação pode ser considerado, em si, um pecado… Eu acho que, no caso em que a pessoa arrogantemente reivindica coisas pra si sem levar em conta a vontade de Deus, aí sim pode ser pecado, mas não pela tristeza em si que ela sente, mas pela arrogância, pela falta de confiança em Deus e pela prepotência em ela achar que Deus tem a obrigação de lhe dar alguma coisa, sendo vontade dEle ou não… A tristeza, neste caso, se reverte em revolta, em ingratidão e, em alguns casos, até em blasfêmia… Seria este o sentido que você queria dizer?

    • ^_^
      Este texto é maravilhoso mesmo, Cynthia! E ele não é para ser lido somente uma vez, mas muitas e muitas vezes, especialmente nos nossos momentos de maior tribulação. Esta meditação sempre traz alívio e conforto ao nosso coração, e cala nossos “por quês”…
      Beijos!!

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