Compaixão e pranto da Virgem

Por Beato José de Anchieta

Quadros angustiosos

Ó minha alma, por que é que te entorpeces sepultada em tanta sonolência? Por que resonas abismada em tão pesado dormir? Não te comovem as angustiosas lágrimas da Mãe que chora a morte tormentosa de seu Filho? Suas entranhas se liquefazem de dor ao contemplar-lhe as feridas de que está coberto, ó sim, minha alma! Por onde quer que olhares, tudo encontrarás tingido pelo sangue de Jesus. Vê, como jaz prostrado ante seu Pai, como o suor de sangue lhe banha todo o corpo. Vê como o prende qual ladrão, a horda selvagem! como o calca aos pés e lhe atira o laço às mãos e ao pescoço. Vê como ante Anás, cruel soldado com a pesada mão ousa imprimir sangrenta bofetada no rosto divinal! Não reparas como diante do soberbo Caifás ele sofre humilde mil impropérios, escarros e punhadas? Quando o ferem não retira a face, deixa que lhe arranquem a cabeleira e a veneranda barba. Olha como o carrasco, com azorrague fero, retalha os doces membros do teu Deus! Olha como os duros espinhos lhes trespassam as fontes sacratíssimas, e lhe riscam rios de sangue nas faces belas. Não vês como esfarrapados cruelmente os membros mal pode suster nos ombros o peso desumano? Repara como a ímpia dextra do algoz encrava no madeiro com pregos ponteagudos as mãos do inocente. Também repara como com agudos pregos no madeiro encrava, os pés imaculados. Olha como todo uma chaga, pende do lenho duro e lava no divino sangue as tuas fraudes. Olha a larga ferida do rasgado peito donde jorra um veio de água e sangue.

Compaixão da Mãe

Escultura de Franciso Romero Zafra
Escultura de Francisco Romero Zafra

Tudo isto se o não sentes, a Mãe angustiosa reclama para si estas feridas, feridas de seu Filho! Pois quantas torturas padeceu o Filho em seu corpo inocente, tantas sofre a compassiva Mãe no coração. Ergue-te, pois! E pelas ímpias ruas de Sião busca com o coração piedoso a Mãe de Deus! Ambos aqui e ali, pegadas luminosas te deixaram marcando-te o caminho que trilhasses. Ele arrastado, tingiu-o com seu sangue, e Ela triste, foi regando o pó com suas lágrimas. porém, se tanta dor não pode admitir consolação pois que a negra morte lhe roubou a Vida de sua vida, ao menos tu inundarás de lágrimas teus grandes crimes pois que foram a causa desta morte tão tormentosa. Mas para onde te arrojou, ó Mãe, este tamanho turbilhão de dores? Que terra acolhe teu pranto inconsolável? poderá escutar tuas vozes e lamentos esta colina em que apodrecem brancas ossadas de mortais, à flor da terra?

Maria paga o pecado de Eva

E sofres porventura à sombra desta árvore tão perfumosa donde pende o teu amor, o teu Jesus? Em meio de tuas lágrimas aí estás a pagar, trespassada de dor os gozos ilícitos da primeira mãe. Ela deixou-se enganar sob as frondes da árvore proibida e loquaz e estulta erguei p’ra o fruto a audaciosa mão. O fruto precioso da árvore de teu seio, este alimenta eternamente a vida de sua Mãe. Os queridos penhores que matou a seiva do pecado, ele os ressuscita e os confia ao teu carinho. Mas foi-se a tua Vida! O amor delicioso de teu coração, a força de teu ser! E juntamente com Ele tudo se foi. Arrebatou-o o cruel inimigo e deu-lhe a morte, àquele qeu dos peitos te pendeu qual doce fardo.

O coração da Mãe

Sucumbiu Jesus, crivado de mil chagas, a formosura, a glória, a luz de tua alma! Quantas foram suas chagas, tantas as dores que te alancearam, pois que tu e teu Filho só éreis uma vida. Encerrado no fundo de teu coração sem terjamais abandonado esta morada do teu regaço para depois morrer assim. Traído e tão barbaramente trucidado, não podia deixar de te rasgar o coração com a espada mais atroz. Teu amante coração retalhou-o lastimosamente o azorrague, e a coroa de espinhos ensanguentou teu coração amante. Com os cravos à frente a verter sangue, conjuraram contra ti quantos martírios sofreu na Cruz de teu Filho. Mas como vives ainda se morreu tua vida? Por que com o teu deus te não arrebatou a mesma morte? Como te não arrancou o coração o último suspiro de Jesus, se uma só alma unia as duas vidas? Não podia, de certo, suportar tua vida tão acerbas doras, nem mesmo o teu amor imensurável, se te não sustentasse de teu Filho o braço. Permitindo ao teu Coração novos martírios. Sim, vives ainda, ó Mãe, para sofrer novos trabalhos. Já te bate à porta a última onde deste mar de sangue. Cobre, ó Mãe, o semblante, venda os amantes olhos: como um furacão a hasta agita as leves auras.

Coração rasgado!

A lança rasga o peito do Filho inanimado, e treme ao lhe cravar o Coração. Faltava a tantas dores, oh! faltava, este complemente crudelíssimo! Este suplício a mais, mais esta chaga atroz te estava reservada: esta dor cruel seria a sua herança. Oh, quanto quiseras te cravassem na Cruz com o teu Jesus, as mãos virginais às mãos divinas, os pés virginais aos pés divinos, Ele, porém, escolheu para si a Cruz e os duros cravos, reservando a fria lança ao teu coração. Descansa pois ó Mãe, já tens quanto querias, toda esta dor te estala nas fibras do coração. A ferida cruel que achou o corpo de Jesus já frio pela morte, só tu a sentiste no teu coração amante.

Hino de amor à Divina Chaga

Ó chaga sagrada, não foi o ferro de uma lança que te abriu, mas sim o apaixonado amor que ao nosso amor tinha Jesus foi quem te abriu! Ó caudal que borbulhou no seio do paraíso de tuas águas se embebe e fertiliza a terra! Ó estrada real, porta cravejada do céu, torre de refúgio, abrigo de esperança! Ó rosa a trescalar o perfume divino da virtude! Pedra preciosa com que o pobre compra um trono no céu! Ninho em que as cândidas pombinhas depositam seus ovinhos, em qeu a rola casta alimenta seus filhotes. Ó chaga vermelha, que reverberas de imensa formosura e feres de amor os corações amigos! Ó ferida que abriste com a lança do amor através do peito divinal estrada larga para o Coração de Cristo! Prova de inaudito amor com que Ele a si nos estreitou: porto a que se acolhe a barca na procela! A ti recorrem os perseguidos do inimigo fero, medicina pronta a toda a enfermidade! Em ti vai sorver consolação o triste e arrancar do peito opresso a carga da tristeza. Não será frustrada a esperança do pobre réu que, depondo o temor, entra nos palácios do paraíso por tua via. Ó morada da paz! Ó veio perene da água viva, que jorra para a vida eterna! Só em ti, ó Mãe, foi rasgada esta ferida, só tu a sofres, somente tu a podes franquear. Deixa-me entrar no peito aberto pelo ferro e ir morar no Coração de meu Senhor, por esta estrada chegarei até às entranhas deste amor piedoso: aí farei o meu descanso, minha eterna morada. Aí afundarei os meus delitos no rio de seu sangue, e lavarei as torpezas de minha alma, nesta água cristalina. Nesta morada, neste remanso, o resto de meus dias, quão suave será viver, aí por fim morrer!

Num trono de dores

Mas por que com clamores insensatos eu firo teus ouvidos sea dor obriga a ti esqueceres de ti própria? Mergulhada em tristeza e trespassada por cruel espada, o chão te dá um trono, ó rainha de dores e gemidos! No seio amante recebes, Virgem inconsolável, o cadáver do Filho, esfarrapado pela chaga e pela morte. Tu, num mar de lamentos, deixas correr este teu pranto amargo, regando com tuas lágrimas piedosas os membros ensanguentados de teu Filho. Os teus soluços abalaram-te o íntimo da alma e rompendo em doces queixas, assim te expandes tu, entre gemidos.

Lamentação e destroço

Escultura de Antonio José Martínez Rodríguez
Escultura de Antonio José Martínez Rodríguez

“Filho, cruel ferida desta pobre Mãe! Ai! como estás dilacerado tão horrendamente! Ó sol divino coberto por humanas trevas! Ó vida esplendorosa que te ofuscaste pela morte crua! Que mão ousou infligir-te tão feras dores? Como endureceu tua fronte de tão cruéis espinhos machucada? Que cravo tão feroz te atravessou de lado a lado as mãos de neve? Por que se patenteia o peito teu com tão larga ferida? Quem desbotou a rósea cor de tuas faces belas? E a digna formosura de teu rosto, onde se foi? É esta a cabeça a cujo aceno tremem as muralhas fortíssimas da terra, e a mole das estrelas? É ante estes olhos que se ofuscavam os astros do céu tranquilo, e o sol fulgurante quando em seu carro corta o mais alto dos céus? É destes lábios que escorria o mel e os bálsamos divinos? É desta boca que jorrava a fonte de água viva? Se estas as mãos a cujo toque ressurgiam os corpos enfermos já quase nos abismos da morte sepultados? Ai, como te vejo! Filho, já não te doura o primitivo brilho; não ostenta tua face a antiga formosura! Duros açoites macularam-te com sangue o belo corpo, e das junturas fizeram ressaltatr os ossos. Hórrida palidez se apoderou das faces lívidas: a barba devastada se empastou de sangue endurecido. Os braços com as palmas encravadas enrijeceram-se e a rigidez da morte apoderou-se de tudas pernas e teus pés! Mas como se embraveceram os mares, ao sopro destes ventos repentinos? Em que fera tempestade tu te achas mergulhado até à fronte? Meu Filho, glória do Céu, que desgraça te roubou ao meu amor? Que onda malvada arrebatou-te dos meus braços? Onde se sumiu o esplendor do Pai, ó meu Jesus formoso? Onde é que está o Filho desta Mãe?

Saudades cruéis

Tu, com tua doçura, aos pais desconsolados outrora consolavas e restituías às mães seus perdidos penhores. Mas a mim o que a morte feroz me arrebatou, quem mo restituirá? As lágrimas de tua Mãe, quem as enxugará? Que farei sem ti, Filho dulcíssimo? Quem será o amparo de minha tristeza e abrigo nesta tormenta? Tu eras o meu Filho, a minha doçura toda, eras meu Pai, meu Esposo, meu Irmão. Agora tua Mãe já não é tua Mãe, pois tu, meu Filho, morreste: sem Pai, sem Esposo, sem Irmão, eu choro inconsolável! Estiolado pelos ardores do sol, já te não acolherei, doce cordeiro, no redil de meu seio. Sem ti, meu penhor querido, não mais o doce nome de mãe trará sublimes gozos ao coração materno. A cães sedentos de sangue te lançaram, Filho de minhas entranhas: como presa te entregaram a lobos carniceiros. Ah! pobre de mim! A minha dor cruel não acha alívio algum: só as lágrimas saciam meus gemidos. Um dia bastou para roubar a alegria ao coração materno, bastou um dia para enchê-lo de tormento e luto! Filho, outrora meu descanso e agora meu punhal, outrora uma esperança, e agora… chaga!

Perguntas sem resposta

Que crimes cometeste, depois que das alturas baixaste a esta terra? Que torpeza penetrou tua inocência? Que atentado pesa sobre a augusta cabeça para inventar o algoz suplício e atormentar-te as fontes sacratíssimas? Que conluio travaram língua e paladar, para merecer de fel a taça amarga? Por que te esmaga as palmas cravo agudo? Que culpa mancha as inocentes mãos, por que te rasga as plantas cruel chaga? que falta cometeram teus sacrossantes pés? Por que fendeu a lança o peito divinal? Que maquinavam as entranhas do teu amante coração? Tu nenhum mal fizeste: o mundo é que perpetrou crimes enormes que te causaram tão horrenda morte! Tanto assim monta a salvação dos homens e a redenção das almas, e tanto o amor que pulsa no peito do Senhor! Ó Filho, não me falas? Não te movem os lamentos desta pobre Mãe? nem as entranhas pela dor despedaçadas? Quem foi que impôs ao Verbo do Pai tão triste silêncio? Por que às minhas lágrimas tu nada respondes? Por que é que tua língua, que a tantos mudos desatava os laços, só para mim não tem uma palavra? Que culpa me atraiu tanto tormento, e tanta angústia? São estes os gozos com que premeias, meu Filho, a tua Mãe? Será porque te embalei suavemente em meu regaço, e eras o doce fardo do meu seio, que agora te vejo assim todo chagado, e lacrimosa, te estreito ao coração, triste despojo? Será porque imprimi em tua rósea boca beijos ternos, que agora me tinge os lábios o teu sangue? Foi porventura um crime, com o peito a transbordar do maternal orvalho, ter-te regado docemente os labiozinhos? Por que quiseste que tua doce Mãe sorvesse o amargo absinto, e seu coração com tanto fel se entumescesse? De quem é a culpa, de não ter o teu amor marcos que o limitem no meu peito?

Herdeira de dores

Eis que esse doce amor se me tornou carrasco e me inflige golpes que me chegam aos ossos! Que heranças, que legítimas riquezas, Filho, ao morrer, deixas à tua Mãe paupérrima? Ai de mim! palmas trespassadas, pés endurecidos, fronte e peito esfarrapados me darão suas riquezas. Uns açoites e uns cravos, um carvalho nodoso, uma lança e uma coroa ensanguentada, eis toda a minha herança! De tudo isto eu hei de me apossar como espólio meu legal, pobre herdeira que sou de teus haveres. Com tais adornos caminharei altiva, por rica me haverei, e sempre guardarei estes despojos no escrínio de meu peito. Primeiro a morte com a feroz espada, do peito há de arrancar a minha alma, do que estes meus tesouros; a minha luz está imersa em densas trevas e a vida me tombou ceifada pela Cruz.

O amor tudo vence

Escultura de Fernando Aguado
Escultura de Fernando Aguado

Em que obra o meu doce cordeiro, o meu Filho Jesus te ofendeu ou te lesou, ó Pai Celeste? Ele, as culpas do mundo criminoso, há de expiar? Ele, as penas em que os réus incorrem, há de sofrer? Para que não pereçam os culpados, entrega-se o inocente? Com o crime do escravo carrega o Filho amado? Resgate com dura morte a vida dos homens, e só assim, lhes poderá ganhar a salvação? Não, não custava ela tanto assim! Foi tua bondade que a tanto te arrastou. O amor que tudo vence, venceu também a ti! Chora Sião, o destino cruel do doce Pai, morto por ti, por não morreres tu. É assim que morres, minha doce Luz? Dulcíssimo Jesus, por eu viver assim, te ceifa a morte violenta? Tu, meu Deus, abraçares assim a morte atroz, e eu, tua Mãe, continuar a viver quanto tu morres? Certamente feliz eu era quando eu vivia e tu vivias, como agora o seria se morresse, quando tu morres.

O coração-sepulcro

Feliz o mármore que em breve abrigará teu corpo: e em meu lugar, no pio seio acolherá teus membros. Ao entrares na vida, foi em minhas entranhas que doce repousaste: ao sair dela, só uma pedra é que terás por leito. Mas que malvado te há de arrebatar do meu regaço? Quem me apartará dos olhos esta triste ruína? Ah! não te hão de arrancar de mim! No mesmo túmulo nos hão de sepultar a ambos: uma só loisa cobrirá dois corpos! Eu que aqui te aqueço no regaço o miserando corpo, acompanhar-te-ia à sepultura, se mo permitisses. Mas porque não posso romper com a vida tão cruel, e me é uma dor imensa o viver longe do teu semblante, tu, meu Filho, guardarás o coração de tua Mãe em teu sepulcro, e o amor materno sepultar-te-á aqui no coração.

À morte

Ó morte, por que me rasgas as entranhas com tua aguda espada? E ensanguentada arrebatas do colo maternal, o Filho? Cruel! por que me levas o Tesouro e me deixas a mim? Por que não vibra teu furor, as armas contra mim? Piedosa foras, se a ambos feriras com o mesmo dardo, se a mesma Cruz, tirara aos dois a vida. Feroz contra a vida do Filho, contra a da Mãe a quem poupaste, mais fera ainda. Se ambos morrêramos bondosa então para ambos foras. Teus últimos dardos, dança-os agora contra esta Mãe aflita: obriga-me a morrer, a mim, que, sem meu Filho, obrigas a viver!”

O verdadeiro algoz

Esta e muitas outras queixas diriges, ao Filho morto, entre gemidos, mas nenhum alívio encontra a tua dor. Quem te enublou o peito com tão fundo luto? E como pôde invadir-te o coração, tristeza tão acerba? Por que te afeiam o rosto tantas lágrimas? Por que estes rios incessantes de teus olhos? Por que tantos gemidos, tantas dores? Quem foi que amargurou assim tuas entranhas? Quem é que te transpassa o coração com tão feroz espada? Quem te cravou nas veias tão agudas setas? Oh! meus crimes é que cavaram estas chagas, minhas mãos abriram estas cruéis feridas; eu, eu lhe torturei com azorragues o corpo, com a coroa à fronte, eu lhe cravei as mãos e os inocentes pés. Eu com a lança lhe rasguei o lado e as entranhas, eu a causa fui da morte do teu Filho. Sim, minhas culpas exigiram estas chagas, este era o castigo a meus crimes devido. Eu fui o infrator da lei, ele foi o sangue puro da expiação; eu o ofensor e ele o sacrifício. Eu fui o que pequei; e ele o que levou as dores; eu é quem sou réu de morte, quem morre, é ele! Eu fui o assassino do Filho, sim, e também da Mãe: pois ele era a vida do teu coração. Que farei, desgraçado? A sua ira se avoluma contra mim, e com toda a justiça tu própria me ameaças. Quando revolvo as obras de meu braço, nenhuma esperança então me acode de te poder aplacar.

Esperança

Mas quando relembro o cru destino de teu Filho, vem-me juntamente com a ideia da morte e da esperança. Não carregarás contra mim a fronte; à vista do seu sangue: o sangue piedoso te desarma. Acolher-me-ei à chaga deste coração materno: ele é Calvário no qual Deus quis ficar crucificado. Nem se pode cerrar teu coração bondoso, a jorrar esplendores pelas portas das chagas. Ainda que escondas algumas, não as podes fechar todas, e foi por isso que te deram tantas. A mesma dor que despertou a ira, ela própria a amansa: este sangue força ao misericordioso amor. Enxuga um pouco as lágrimas destes teus olhos meigos, contempla o rosto banhado em sangue do teu Jesus! Aplaque-te a vista deste sangue derramado: se fores mansa, ele, ó certo! duro não será para comigo. Não me poupes, porém, aqui na terra, poupar-me-á no céu Jesus teu Filho: despede contra meu peito dardos sangrentos. E teu peito crivado de mil chagas ninguém! ninguém mo arranque jamais aqui do coração! Isto te peço, Mãe bondosa, por estas feridas que em teu Filho fiz e que fez em ti o amor cruel do Filho. Concede-me também a mim a morte, esta morte feroz de chagas e de sangue por meu Senhor, com meu Senhor!

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Beato José de ANCHIETA, S. J. Poema da Virgem. São Paulo: Edições Paulinas, 1959, p.245-263.


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