Nossa Senhora Aparecida – 12 de Outubro

Nossa Senhora AparecidaEra no fim de setembro de 1717. Dom Pedro de Almeida, conde de Assumár, novo governador de São Paulo, há pouco chegado de Portugal, tomara posse do seu alto cargo, na vila de São Paulo, a 4 de setembro do mesmo ano de 1717.
 
Negócio urgentes exigiam sua presença imediata em Vila Rica, hoje Ouro Preto. Empreendeu logo a viagem de São Paulo para o território das minas. Então, como hoje, o caminho era seguir o vale do Paraíba até quase metade da viagem e passar por Guaratinguetá.
 
No intuito de honrar o novo governador e merecer-lhe os favores, a Câmara desta vila de Guaratinguetá ordenou aos pescadores que trouxessem para o ilustre viajante todo o peixe que pudessem apanhar.
 
Na expectativa de bom salário e também para agradar ao preclaro visitante, muitos moradores corresponderam ao convite da Câmara. Ente outros, a tradição conservou os nomes de três: Domingos Garcia, João Alves, e Felipe Pedroso, não que tivessem mais qualidades que os outros, mas porque a Providência lhes outorgou a felicidade de retirar do rio a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
 
Acostumados a tirar peixe da água, é com ânimo que estes três principiam juntos a lançar as redes no lugar chamado porto de José Correia Leite; esperam algum tempo, como de ordinário, e retiram as redes: estão vazias.
 
Então levam as canoas mais adiante e escolhem sucessivamente numerosos outros pontos onde a pesa é geralmente rendosa; tudo debalde; a sorte obstina-se em ser-lhes contrária e cada vez tem eles o desgosto de levantar redes vazias.
 
E assim vão continuando a andar inutilmente pelo rio, bastante longe, até o porto de Itaguaçu.
 
Iam desistir da empresa infrutuosa, quando João Alves lança sua rede de arrasto e logo sente que apanhou um corpo pesado, talvez uma pedra; tira a rede fora da água e vê com admiração, não o peixe cobiçado, mas o corpo de uma imagem de Nossa Senhora; infelizmente falta a cabeça.
 
Estranha bastante o caso, mas não se atrasa em reflexões e, de novo, deita a rede, quase no mesmo lugar; desta feita, retira a cabeça da mesma estátua.
 
Embora não tenha ainda peixe algum, o bom e piedoso João Alves não deixa de sentir-se muito feliz quando reúne as duas partes da imagem; com intenso júbilo, inteira-se que formam uma estátua completa de Maria imaculada.
 
Alegram-se também os companheiros e os três juntos depositam o tesouro no lugar mais decente de uma canoa, envolvido no melhor pano que podem arranjar.
 
Animados agora com a esperança de melhor êxito, os piedosos e ativos pescadores recomeçam a faina um instante interrompida.
 
Não se enganaram nos seus pressentimentos de melhor sorte; de ora em diante, apenas na água, as redes parecem atrair o peixe e enchem-se tão depressa que os venturosos pescadores, em breve, tem as canoas repletas e param com medo de as ver soçobrar. Admirados do sucesso e com a alma transbordante de gratidão para com Nossa Senhora, retiram-se para suas vivendas, onde narram o caso à gente simples e boa do povoado.
 
Foi Felipe Pedroso quem teve a dita de levar a devota imagem para sua casa; morava perto de Lourenço de Sá e ali conservou-a consigo por seis anos.
 
Transportou-a depois para Ponte Alta no dia em que ali foi residir; após nove anos, passou para Itaguaçu e assim levou a imagem para o próprio lugar onde a descobrira quinze anos antes; quando acabou os dias, legou o precioso depósito a seu filho Atanásio Pedroso.
 
Movido de sincera piedade para com a Mãe de Deus, Atanásio não demorou em arranjar um pequeno oratório dentro de casa; era um modesto altarzinho feito de tábuas rústicas; no centro, em cima de brancas toalhas, pôs a imagem da Virgem querida; o pessoal da casa gostava de enfeitá-la com flores.
 
Nos sábados e dias festivos de Maria, o povo da vizinhança acudia para tributar homenagens à excelsa Virgem imaculada; ascendiam velas diante de sua imagem, multiplicavam as flores e cantavam o terço e outras devoções.
 
Numa destas orações noturnas, sem que houvesse o menor sopro de vento, apagaram-se de repente as duas velas de cera da terra que ardiam aos pés de Maria; piedosa testemunha chamada Silvana Rocha, diligenciou logo para as ascender de novo; mas antes que chegasse perto, notou admirada que já estavam acesas e sem intervenção de ninguém.
 
Este fato gracioso agradou a todos e deu mais vontade de invocar a Senhora Aparecida, como já o povo a denominava.
 
Repetidos outros casos prodigiosos e numerosos favores íntimos recompensaram os devotos e espalharam ao longe a fama da Senhora Aparecida; foi então que o Vigário de Guaratinguetá, o Pe. José Alves Villela, mandou edificar uma capelinha onde o povo pudesse melhor homenagear a bondosa Mãe de Deus.
 
A 26 de julho de 1745, festa da gloriosa Santa Ana, mãe de Nossa Senhora, com licença do Sr. Bispo do Rio de Janeiro, o mesmo Pe. José Alves Villela, teve a dita de benzer a capelinha, em que logo depois rezou a primeira missa.
 
Mais tarde esta capelinha foi substituída por outra, maior e mais pomposa, que ainda existe, em cima de um outeiro, em frente ao rio, cujos meandros ali desenham um M.
 
Hoje o santuário foi elevado à categoria de basílica e a Virgem Aparecida foi solenemente coroada e declarada Padroeira do Brasil.
 
Como se vê, Maria Santíssima não apareceu pessoalmente aos humildes pescadores que tiveram a ventura de achar a sua imagem. Mas o encontro verdadeiramente extraordinário da estátua, os prodígios que se deram quando se começou a venerá-la e as inúmeras graças que vai prodigalizando desde mais de 200 anos, são uma revelação bastante clara da Mãe de Deus.
 
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Nossa Senhora: curso médio de catecismo mariano. São Paulo: Livraria Francisco Alves Paulo de Azevedo & Cia, 1937, p. 131-134.
 
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