A modéstia no vestir: Uma norma de caridade

Por Melissa Bergonso

 
Nossa SenhoraA modéstia no vestir, não raras vezes, torna-se “palco”, ou melhor, motivo de discussão e acusação. As mulheres católicas que procuram viver de acordo com a modéstia mariana no vestir são, frequentemente, taxadas de radicais ou puritanas, e ridicularizadas. De qualquer forma, não é tão difícil compreender porque há tanta “hostilidade” e tanto “espanto” para uma decisão que rompe com a ditadura da moda sensual: a tibieza de muitos cristãos os faz covardes, mornos, preguiçosos, cegos, surdos e mudos; por isso não querem mudar de vida, por isso não mudam de vida.
 
É muito comum, quando defendemos a modéstia no vestir, recebermos a acusação de que estamos “impondo nossa vontade”. Jamais a defesa da modéstia cristã é uma questão de “imposição de vontade”, mas sim uma norma de caridade. Como disse o SS. Papa Pio XII em sua alocução da Cruzada pela Pureza:
 
Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio. Aquilo que Deus pede é recordar sempre que a moda não é, nem pode ser a regra suprema da conduta; que acima da moda e de suas exigências existem leis mais altas e imperiosas, princípios superiores e imutáveis, que em nenhum caso podem ser sacrificados ao talante do prazer ou do capricho, e diante dos quais o ídolo da moda deve saber inclinar a sua fugaz onipotência. […]. São aqueles princípios que Santo Tomás mostra para o ornamento feminino e recorda, quando ensina qual deve ser a ordem de nossa caridade, de nossas afeições: o bem da própria alma deve preceder o do nosso corpo, e à vantagem de nosso próprio corpo devemos preferir o bem da alma de nosso próximo. Não se vê, portanto, que há um limite que nenhuma idealizadora de modas pode fazer ultrapassar, a saber, aquele além do qual a moda se torna mãe de ruína para a alma própria e dos outros?
 
 

A perfeição de Maria Santíssima

 
A modéstia cristã no vestir tem por princípio imitar as virtudes de Maria Santíssima. Quem procura imitar Nossa Senhora inevitavelmente procura seguir Nosso Senhor Jesus Cristo, renunciando o mundo, o demônio e a carne, e tudo aquilo que deles provém. E as modas indecentes provêm do mundo, pelo demônio, para atingir a carne, incitando o sensualismo e a impudicícia, a malícia de pensamentos e maus comportamentos. Portanto, age muito bem a jovem, a mulher e a donzela que foge dessas modas, por vezes ridículas, que as vulgarizam e rebaixam sua dignidade de filhas de Deus, de filhas de Maria.
 
Muito se discute acerca das roupas adequadas para uma mulher católica e pouco se afirma ou se quer afirmar acerca do que lhe é conveniente, próprio ou não. Uma vestimenta adequada para um cristão (homens e mulheres) é uma vestimenta que guarda seu pudor e seu recato. Não pode viver a modéstia cristã no vestir a pessoa que veste trajes impudicos, impróprios e indecentes. Neste sentido, não pode e não tem como viver a modéstia no vestir a pessoa que não se propõe a imitar as virtudes e a modéstia da Virgem Santíssima; e imitar as virtudes da Nossa Senhora requer sacrifícios, especialmente de si mesmo.
 
Diz Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13). E qual é o maior ato de caridade do que renunciar a si mesmo em favor dos outros, pelo bem de suas almas e por amor a Deus? “[…] qual deve ser a ordem de nossa caridade, de nossas afeições: o bem da própria alma deve preceder o do nosso corpo, e à vantagem de nosso próprio corpo devemos preferir o bem da alma de nosso próximo. […]” (Pio XII).
 
Somente seguindo os passos de nossa Mãe do Céu e seu exemplo é que conseguiremos alcançar a graça da perfeição das virtudes e a santidade da alma. A modéstia no vestir é apenas um passo rumo à santidade, mas é de passo em passo que se progride na vida espiritual e se caminha rumo ao Céu. Também a modéstia no vestir é uma norma de caridade, pois cuidar para não ser ocasião de pecado é um ato heróico, um ato de amor ao próximo, uma prova de amor a Deus.
 
Leia também: