Festa do Arcanjo São Miguel – 29 de Setembro

Por Santo Afonso Maria de Ligório

 
São Miguel ArcanjoMichael, unus de principibus primis, venit in adiutorium meum — «Miguel, um dos primeiros príncipes, veio em meu socorro» (Dan 10, 13).
 
Sumário. Entre os anjos do paraíso não há um só que seja superior, nem quiçá igual a São Miguel, que foi escolhido por Deus para rebater o orgulho de Lúcifer e para o expulsar do céu. É, pois, com razão que ele foi colocado como protetor da Igreja Católica e de todos os fiéis. Alegremo-nos com o gloriosíssimo Arcanjo, recomendemo-nos a ele e dediquemos-lhe particular devoção, porque tem o honroso ofício de, na hora da morte, defender as almas contra os assaltos dos demônios e apresentá-las ao tribunal divino.
 
I. Entre os anjos do céu não há nenhum que seja superior nem talvez, no dizer de São Boaventura, igual a São Miguel. E com razão, pois São Miguel foi escolhido por Deus para rebater o orgulho de Lúcifer e de todos os anjos rebeldes e para os expulsar do céu. — Minha alma, se amas este santo arcanjo, que tanto amor tem aos homens, congratula-te com ele pela grandeza de que goza no paraíso, e roga-lhe que, assim como é o protetor da Igreja universal e de todos os fiéis, seja também o teu protetor especial junto de Deus, que muito o ama e se compraz em ver glorificado por todos este anjo tão fiel e tão zeloso da glória divina.
 
Na missa pelos defuntos a Igreja roga assim: São Miguel, o porta-bandeira, leve-as (as almas) à santa luz: Signifer sanctus Michael repraesentet eas in lucem sanctam. Os escritores explicam esta oração dizendo que São Miguel tem o ofício honroso de apresentar ao Juiz Jesus Cristo todas as almas que deixam este mundo em estado de graça. — Glorioso Arcanjo Miguel, pela vossa proteção fazei que, no dia da minha morte, a minha alma esteja ornada da graça de Deus e seja digna de ser apresentada pelas vossas mãos a Jesus Cristo meu Juiz.
 
II. Em nome de todos os fiéis, a santa Igreja roga a São Miguel que na hora da morte nos defenda contra os assaltos dos demônios, afim de que não sejamos por eles vencidos e não nos percamos: «São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, para que não pereçamos no tremendo juízo» — Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, ut non pereamus in tremendo iudicio. — Mas, afim de que sejamos mais seguramente defendidos nesse momento terrível que decidirá da nossa eterna salvação, mister é que em vida dediquemos devoção especial a este príncipe celeste, agradecendo muitas vezes à Santíssima Trindade as graças e prerrogativas a ele concedidas, recomendando-nos sempre à sua proteção e imitando sobretudo as suas virtudes, em particular a sua humildade e o seu zelo pela glória divina.
 
Ah! santo Arcanjo, o inferno tem muitas armas com que pode investir contra mim na hora da minha morte: estas armas são os meus pecados, com cuja representação procurará precipitar-me no desespero. Já agora está preparando tentações horríveis para me fazer então cair no pecado. Ó vós, que vencestes e expulsastes do céu este terrível adversário, vencei-o de novo por mim, e na hora da minha morte expeli-o para bem longe; isto vos suplico pelo grande amor que Deus vos tem e vós a ele. — Ó Maria, Rainha do céu, ordenai a São Miguel que me assista à hora da minha morte.
 
«E Vós, ó meu Deus, que regulais com ordem admirável os ministérios dos anjos e dos homens, dignai-Vos permitir que aqueles que Vos oferecem continuamente os seus serviços no céu, protejam a nossa vida sobre a terra. Por Jesus Cristo Nosso Senhor, que convosco vive e reina por todos os séculos dos séculos»[1]. (* II 471.)
 
[1] Or. festi.
 
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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 368-369.
 
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