11 de Agosto – Santa Clara

Por Dom Servilio Conti, I. M. C.

Clara nasceu por volta do ano 1193, de uma ilustre família feudal de Assis. Em peregrinação à Terra Santa, sua mãe orava diante da cruz, quando recebeu a certeza que haveria de ter uma filha que iluminaria o mundo: chamou-a, portanto, Clara. este nome parece ser bem a síntese da vida de Santa Clara.

Tinha cerca de dezoito anos, quando foi apresentada a São Francisco de Assis por seu primo Frei Rufino. Entusiasmada pelo tipo de vida do Santo das Chagas, procurou segui-lo na medida do possível. Era uma jovem rica, inteligente e extraordinariamente bela. Na primavera de 1211, na cerimônia dos ramos, o bispo, já avisado por São Francisco das intenções de Clara, desceu do altar e lhe entregou um ramo bento. Naquela mesma noite, fugiu de casa e se refugiou na Porciúncula, pequena capela, nos campos de Assis, que serviu de residência aos primeiros frades de São Francisco. este lhe cortou os cabelos e lhe impôs o hábito cruciforme, o cordão e um véu negro.
O procedimento estranho de Clara provocou os mais veementes protestos dos pais e parentes que tudo tentaram para tirar a jovem do convento. Clara opôs-lhes a mais firme resistência. Para despistar a busca da família, mudou-se de um lugar para outro; por fim, foi para a igrejinha de São Damião, onde surgiu seu primeiro convento que abrigou as Damas Pobres chamadas também Clarissas.
Pouco depois, seguiram-na nesta vida de austeridade suas irmãs Inês e Beatriz. Enfim também a mãe de Clara quis terminar seus dias no convento das Clarissas. Em breve tempo, formou-se no Convento de São Damião, sob a direção espiritual de Clara, numerosa comunidade de virgens, realizando, de modo eminente, a vida contemplativa do ideal de São Francisco de Assis, dentro do espírito da mais estrita pobreza. Aliás, durante toda a vida, Clara lutara para seguir de perto o tipo de pobreza ideado por São Francisco de Assis que as autoridades eclesiásticas daquele tempo julgavam incompatível com a vida religiosa em clausura.
A impressão que a figura nobre e extraordinariamente luminosa de Clara causava nos contemporâneos fica bem retratada na página do primeiro biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano, que escreveu quando Clara ainda estava viva:

“São Damião é a casa bendita e santa, onde teve origem a gloriosa e nobilíssima Ordem das Irmãs Clarissas ou Damas Pobres. Nela, a ilustre Clara, oriunda de Assis, qual pedra preciosa, serviu de base digníssima a todas as que deviam segui-la. Porque, depois da fundação dos frades, a nobre donzela, decidida a entregar-se unicamente ao Senhor, pelos conselhos do nosso santo, serviu de exemplo e guia a inumeráveis virgens. Nobre por descendência, foi mais nobre pela graça; virgem na carne e puríssima no coração; jovem de idade mas consumada na prudência; na caridade divina ardorosíssima amante; rica de conhecimentos e mais distinguida na humildade. Numa palavra, Clara por nome, mais clara na vida e claríssima nas virtudes”[1].

Durante o assédio dos bárbaros sarracenos contra a cidade de Assis, prevendo o assalto dos soldados ao convento construído no limite dos muros da cidade, Clara, embora doente, levantou-se, dirigiu-se ao altar do Santíssimo Sacramento, tomou nas mãos a custódia com a Sagrada Hóstia e se apresentou aos assaltantes. Apoderou-se dos sarracenos um pânico inexplicável. Os que tinham galgado o cimo do muro, caíram para trás, os outros fugiram às pressas.
Clara veio a falecer na idade de 60 anos, no dia 11 de agosto de 1253, e sua fama de santidade foi tão rápida, que foi elevada às honras dos altares dois anos depois da morte. Suas irmãs estão, ainda hoje, espalhadas aos milhares, pelo mundo afora, vivendo o ideal de Clara.
[1] Tomás de Celano. Vida I, cap. VIII, n. 18, em São Francisco de Assis. Escritos e biografias de São Francisco de Assis, crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano. Petrópolis, Ed. Vozes, 1981, p. 192.
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CONTI, D. Servilio. I. M. C. O Santo do dia. 7a. edição. Petrópolis: Editora Vozes, 1999, p. 346; 348.

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