10 de Agosto – Santa Filomena

10/08/2011 Vida dos Santos Nenhum comentário

Tradução livre de Melissa Bergonso

DESCOBRIMENTO DE SEUS RESTOS MORTAIS
Filomena, uma jovem mártir da igreja primitiva, adormeceu no esquecimento da história até a descoberta de seus restos mortais em 24 de maio de 1802. Aconteceu no dia de Maria Auxiliadora, durante uma das escavações que se fazem constantemente em Roma. Ela foi encontrada na Catacumba de Santa Priscila, na Via Salaria.
Em uma tumba havia três placas juntas que fechavam a entrada, e nelas havia uma inscrição que estava rodeada por símbolos que aludiam ao martírio e à virgindade da pessoa ali enterrada. Os símbolos eram: âncora, três setas, uma palma e uma flor.
A inscrição dizia: LUMENA PAXTE CUM FI. Entende-se que essas placas podem ter sido colocadas em ordem incorreta, devido à pressa ou ao pouco conhecimento do latim da pessoa que a enterrou. No entanto, com a inscrição corretamente colocada leria-se: PAX TECUM FILUMENA (em português: A paz esteja contigo, Filomena).
Ao abrir a tumba descobriram seu esqueleto, que era de ossos pequenos, e perceberam que seu corpo havia sido transpassado por flechas. Ao examinar os restos, os cirurgiões testemunharam os tipos de feridas que a jovem mártir recebeu e os especialistas concordaram, calculando que a menina foi martirizada entre a idade de 12 ou 13 anos.
COSTUMES DOS PRIMEIROS CRISTÃOS
Pelo entusiasmo que causava nos primeiros cristãos a coragem daqueles que morriam pela fé, costumavam marcar a lápide com o símbolo da palma, e colocavam ao lado um pequeno frasco contendo o sangue do mártir.
Quando os cientistas estavam transferindo o sangue seco para um novo frasco transparente, diante de todos os que estavam presentes, sucedeu-se um feito extraordinário. Para o assombro de todos, viram que as pequenas partículas de sangue seco, quando caíam no novo frasco, brilhavam como ouro, diamantes e pedras preciosas e resplandeciam em todas as cores do arco-íris. (Até o presente, pode-se observar, em alguns momentos de graça, que estas partículas mudam de cor.)
Os ossos, crânio e cinzas, junto com o frasco que continha o sangue, foram depositados em um ataúde, o qual foi fechado e triplamente selado. Sob guarda de honra, o ataúde de ébano foi levado, à custódia do Cardeal Vigário de Roma, a uma capela onde se guardam os corpos dos santos.
A Congregação de Indulgências e Relíquias declarou a autenticidade das relíquias da mártir.
DADOS BIOGRÁFICOS
Apesar de ter seus restos mortais, a Igreja ainda não sabia nada sobre a vida de Santa Filomena. O que sabemos desta santa é graças a revelações particulares recebidas da santa em 1863 por três diferentes pessoas, em resposta às orações de muitos que desejavam saber quem era ela e como chegou ao martírio.
As pessoas favorecidas foram um jovem artista de boa moral e vida piedosa, um devoto sacerdote e uma piedosa religiosa de Nápoles, a Venerável Madre Maria Luísa de Jesus, que morreu em odor de santidade. (Essas revelações receberam o Imprimatur da Santa Sé, dando testemunho de que não há nada contrário à Fé. A Igreja não fez nenhum outro pronunciamento e não garante a autenticidade das supostas revelações. A Santa Sé deu a autorização para a propagação delas em 21 de dezembro de 1883.)
A HISTÓRIA DA VIDA SEGUNDO AS REVELAÇÕES À MADRE MARIA LUÍSA DE JESUS
Eu sou filha de um príncipe que governava um pequeno estado da Grécia. Minha mãe era também da realeza. Eles não tinham filhos. Eram idólatras e continuamente ofereciam orações e sacrifícios a seus deuses falsos.

Um doutor de Roma chamado Publio vivia no palácio à serviço de meu pai. Este doutor tinha professado o cristianismo. Vendo a aflição dos meus pais, e por um impulso do Espírito Santo, lhes falou acerca de nossa Fé e lhes prometeu orar por eles, se consentissem em batizar-se. A graça que acompanhava suas palavras iluminaram o entendimento de meus pais e triunfou sobre a vontade deles. Se fizeram cristãos e obtiveram seu esperado desejo de ter filhos.

Ao nascer, puseram-me o nome de Lumena, em alusão à luz da Fé, da qual era fruto. No dia de meu batismo me chamaram Filomena, filha da luz (filia luminis) porque neste dia havia nascido à Fé.

Meus pais me tinham grande carinho e sempre me tinham com eles. Foi por isso que me levaram a Roma, em uma viagem que meu pai foi obrigado a fazer devido a uma guerra injusta.

Eu tinha treze anos. Quando chegamos na capital nos dirigimos ao palácio do imperador e fomos admitidos para uma audiência. Assim que Diocleciano me viu, fixou os olhos em mim.

O imperador ouviu toda a explicação do príncipe, meu pai. Quando este acabou, e não querendo ser já mais molestado, lhe disse: “Eu colocarei à tua disposição toda a força de meu império. Eu somente desejo uma coisa em troca, que é a mão de tua filha”. Meu pai deslumbrado com uma honra que não esperava, aceita imediatamente a proposta do imperador, e quando regressamos à nossa casa, meu pai e minha mãe fizeram todo o possível para me induzir a ceder aos desejos do imperador e aos seus. Eu chorava e lhes dizia: “Vocês desejam que por amor de um homem eu rompa a promessa que eu fiz a Jesus Cristo? Minha virgindade pertence a Ele e eu já não posso dispor dela”.
“Mas você é muito jovem para esse tipo de compromisso” – me diziam – e juntavam as mais terríveis ameaças para me fazer aceitar a mão do imperador.
A graça de Deus me fez invencível. Meu pai, não podendo fazer o imperador ceder e para desfazer-se da promessa que havia feito, foi obrigado por Diocleciano a me levar à sua presença.
Antes tive que suportar novos ataques da parte de meus pais até o ponto, que de joelhos diante de mim, imploraram com lágrimas em seus olhos que tivesse piedade deles e de minha pátria. Minha resposta foi: “Não, não, Deus e o voto de virgindade que eu Lhe fiz está em primeiro que vocês e minha pátria. Meu reino é o Céu”.
Minhas palavras os fizeram desesperar e me levaram diante da presença do imperador, que fez todo o possível para ganhar-me com suas atrativas promessas e com suas ameaças, as quais foram inúteis. Ele ficou furioso e influenciado pelo demônio me mandou a uma das prisões do palácio, onde fui acorrentada. Pensando que a vergonha e a dor fossem debilitar o valor que meu Divino Esposo me havia inspirado, vinha me ver todos os dias e soltava minhas cadeias para que pudesse comer a pequena porção de pão e água que recebia como alimento, e depois renovava seus ataques, que se não fosse pela graça de Deus não teria podido resistir.
Eu não cessava de encomendar-me a Jesus e à sua Santíssima Mãe.
Meu cativeiro durou trinta e sete dias, e em meio a uma luz celestial, vi Maria com seu Divino Filho em seus braços, a qual me disse: “Filha, três dias mais de prisão, e depois de quarenta dias se acabará este estado de dor”. As felizes notícias fizeram meu coração bater de alegria, mas como a Rainha dos Anjos havia dito, deixaria a prisão para sustentar um combate mais terrível que os que já havia tido. Passei da alegria a uma terrível angústia, que pensava que me mataria. “Filha, tem coragem”, disse a Rainha dos Céus, e me recordou meu nome, o qual havia recebido no meu Batismo, dizendo-me: “Tu és LUMENA, e teu Esposo é chamado Luz. Não tenhas medo. Eu te ajudarei. No momento do combate a graça virá para dar-te força. O anjo Gabriel virá socorrer-te, Eu lhe recomendarei especialmente a ele o teu cuidado”.
As palavras da Rainha das Virgens me deram ânimo. A visão desapareceu deixando a prisão cheia de um perfume celestial.
O que se havia anunciado, logo se realizou. Diocleciano, perdendo todas as suas esperanças de me fazer cumprir a promessa de meu pai, tomou a decisão de torturar-me publicamente e o primeiro tormento era ser flagelada. Ordenou que me tirassem meus vestidos, que fosse atada a uma coluna em presença de um grande número de homens da corte, e fez com que me chicoteassem com tal violência que meu corpo se banhou em sangue e parecia como uma só ferida aberta. O tirano, pensando que eu ia desmaiar e morrer, mandou que me arrastassem à prisão para que morresse.
Dois anjos, brilhantes como a luz, apareceram a mim na escuridão e derramaram um bálsamo sobre minhas feridas, restaurando em mim a força, que não tinha antes de minha tortura.
Quando o imperador foi informado da mudança que em mim havia ocorrido, mandou que me levassem diante de sua presenta e tratou de fazer-me ver que minha cura se devia a Júpiter, o qual desejava que eu fosse a imperatriz de Roma. O Espírito Divino, a quem devia a constância em perseverar na pureza, me encheu de luz e conhecimento, e a todas as provas que dava da solidez da nossa Fé, nem o imperador nem sua corte podiam encontrar resposta.
Então, o imperador frenético, ordenou que me lançassem, com uma âncora atada ao pescoço, nas águas do rio Tibre. A ordem foi executada imediatamente, mas Deus permitiu que não acontecesse. No momento em que eu ia ser precipitada ao rio, dois anjos vieram em meu socorro, cortando a corda que estava atada à âncora, a qual foi parar no fundo do rio, e me transportaram gentilmente, à vista da multidão, às margens do rio.
O milagre fez com que um grande número de espectadores se convertessem ao cristianismo.
O imperador, alegando que o milagre se devia à magia, mandou que me arrastassem pelas ruas de Roma e ordenou que me fosse disparada uma chuva de flechas. Sangue brotou de todas as partes do meu corpo, e ele ordenou que eu fosse levada de novo a meu calabouço.

Então o céu me honrou com um novo favor. Entrei em um doce sonho e quando despertei estava totalmente curada. O tirano, cheio de raiva, disse: “Que seja transpassada com flechas afiadas”. Outra vez os arqueiros dobraram seus arcos, empenharam todas as suas forças, porém as flechas se negaram a sair. O imperador estava presente e ficou furioso, e pensando que a ação do fogo podia romper o encanto, ordenou que as esquentassem no forno e que fossem dirigidas ao meu coração. Ele foi obedecido, mas as flechas, depois de haver percorrido parte da distância, tomaram a direção contrária e regressaram, ferindo aqueles que as haviam atirado. Seis dos arqueiros morreram. Alguns deles renunciaram ao paganismo e o povo começou a dar testemunho público do poder de Deus que me havia protegido. Isto enfureceu o tirano. Este determinou apressar minha morte, ordenando que minha cabeça fosse cortada com um machado. Então, minha alma voou até meu Divino Esposo, que me deu a palma do martírio e a coroa da virgindade.

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Fonte (em espanhol): Corazones.Org
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