Escapulário de Nossa Senhora do Carmo » A Grande Promessa e o Privilégio Sabatino

13/07/2011 Nossa Senhora do Carmo Nenhum comentário
Por Plinio Maria Solimeo

No que consistem a tão propalada Grande Promessa e o Privilégio Sabatino?

A “GRANDE PROMESSA”

Como vimos, em um momento de grande aflição para o Ordem do Carmo, São Simão Stock suplicou à Mãe de Deus que lhe desse um sinal de Sua proteção. E no dia 16 de julho de 1251 Nossa Senhora apareceu-lhe com o Menino Jesus e apresentou-lhe um Escapulário, prometendo-lhe que todo aquele que com ele morresse não padeceria do fogo eterno. “Ele é, pois, um sinal de salvação, seguro nos perigos; aliança de paz e de pacto sempiterno” — disse a Mãe de Deus.
Poderia haver algo mais extraordinário do que essa promessa de salvação eterna? A esse respeito ressalta piedoso autor que isso é tão excelso, que “nunca se poderia descer demasiado em suas profundezas. É só penetrando para além do sensível que se chega a conhecer os tesouros espirituais que esta Veste Celestial oculta”.

E continua com muita propriedade: “Especialmente hoje, quando o poder de Satanás ameaça sacudir os próprios alicerces do mundo, precisamos ter um conhecimento racional das nossas devoções e, sobretudo, das que se relacionam com Aquela que esmaga a cabeça da serpente infernal”[1].

Ao que acrescenta outro douto autor: “Temos a certeza de que todos aqueles que, ao morrer, têm a felicidade de usar o Escapulário, obtêm graça perante Deus e são preservados do fogo do inferno, porque acreditamos que, para manter a Sua promessa, Maria retira para eles, dos tesouros divinos de que é depositária, as graças necessárias para a sua perseverança no estado de justiça, ou para a sua conversão. E, assim fortificados e reconciliados com Deus pelos Sacramentos ou pela contrição perfeita, e morrendo com este santo hábito, os associados do Escapulário não caem sob os golpes de uma justiça inexorável”[2].

PRIVILÉGIO SABATINO

A predileção de Nossa Senhora pelo Carmo foi confirmada de modo ainda mais maternal no século seguinte, quando, aparecendo ao Papa João XXII, prometeu-lhe Ela especial assistência aos que trouxessem o Escapulário do Carmo, dizendo que os livraria do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. Essa segunda promessa é conhecida como “Privilégio Sabatino”[3].
Falando desse privilégio, assim se expressa o Papa Paulo V: “É permitido pregar… que, após a morte, a Santíssima Virgem socorrerá, com a Sua contínua intercessão, com os Seus sufrágios e méritos e com a Sua especial proteção, sobretudo no sábado, dia particularmente consagrado pela Igreja à mesma Santíssima Virgem Maria, as almas dos Irmãos e Irmãs da Confraria da Santíssima Virgem Maria do Monte Carmelo que, durante a vida, tiverem usado o hábito [Escapulário], guardado castidade segundo o estado, e recitado o Ofício Menor [ou a oração indicada pelo sacerdote que o impôs]… ou, não sabendo recitar o Ofício, tiverem observado os jejuns da Igreja e guardado a abstinência de carne nas quartas-feiras e sábados (a menos que qualquer deste dias coincida com a festa do Natal)”[4]. O que confirmou Pio XII: “Certamente a piedosíssima Mãe não deixará de fazer com que os filhos que expiam no Purgatório suas culpas alcancem o quanto antes possível a pátria celestial por Sua intercessão, segundo o chamado Privilégio Sabatino, que a tradição nos transmitiu”[5]. E Bento XV: “O Escapulário de Maria… goza do singular privilégio de proteger, mesmo para além da morte”[6].
Como vimos, concedendo depois a Igreja a várias Ordens religiosas a faculdade de benzer também pequenos escapulários e impô-los nos fiéis independente de estarem ligados ou não às Confrarias[7], aos que portam o Escapulário do Carmo estenderam-se também essas promessas da Mãe de Deus. Quer dizer, não há mais necessidade de estar-se afiliado a uma Confraria do Monte Carmelo para gozar-se desses privilégios.
Foi o que provocou a tão universal divulgação do Escapulário do Carmo, que passou a ser considerado “o escapulário” por antonomásia. E, juntamente com o Rosário, um dos símbolos mais característicos do católico piedoso e verdadeiro servo de Maria[8].

PRIVILÉGIOS: OBSERVAÇÕES
Resumindo os privilégios ligados ao Escapulário, temos:
a) A “Grande Promessa”“aquele que com ele morrer não padecerá do fogo eterno”;
b) O “Privilégio Sabatino”: será liberto do purgatório no sábado seguinte à morte.
Para se gozar desses privilégios é necessário:
1. Ter-se recebido devidamente o escapulário, isto é, imposto por um sacerdote com poder para tal (Atualmente qualquer sacerdote com uso legítimo de ordens tem esse poder).
2. Que o escapulário seja como prescreve a Igreja, isto é, feito de dois pedaços de lã (e não de outro material*) ligados entre si por fios, e da forma (quadrangular ou retangular) e cor requeridas (marrom, café ou negro).
3. Que uma de suas partes caia sobre o peito e a outra sobre as costas.
4. Que se observe a castidade segundo o estado (perfeita para os solteiros, e matrimonial para os casados).
5. E que se rezem as orações prescritas pelo sacerdote que o impôs.
[1] J. T. Saravia, (cônego honorário da catedral de Montreal, escritor culto e espiritual), “Le Scapulaire”, Montréal, 1898, p. 110. Apud Haffert, pp. 45-46.
[2] B. P. Maurel, S. J., “Die Ablasse”, (tr.) Padeborn, 1886. Sub festo. Apud Haffert, p. 47.
[3] Enciclopedia del Escapulário, pp de 243 a 293.
[4] Analecta O. Carm., vol. IV., p. 250. Apud Haffert, p. 113.
[5] “DOCTRINA PONTIFICIA”, Id., Ib.
[6] Apud Haffert, p. 113.
[7] Cfr. Espasa-Calpe S. A., Bilbao, Tomo XX, p. 667.
[8] Cfr. “The Catholic Encyclopedia”, Caxton Publishing Company, Limited, London, 1912, vol. XIII pp. 508 ss. Joseph Hilgers, autor dos verbetes Sabbatine Privilege e “Scapular”, na “The Catholic Encyclopedia”, entre outros autores, põe em dúvida tanto a autenticidade da “Grande Promessa” quanto do “Privilégio Sabatino”. Entretanto, o Pe. Simón María Besalduch, em sua já citada obra, refuta sábia e sobejamente os argumentos e autores por ele citados.

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SOLIMEO, Plinio Maria. A grande promessa de salvação: O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. São Paulo: Artpress, 2006, pp. 31-32; 35-36; 45-46.
* Nota: São Pio X permitiu o uso da medalha-escapulário, feita de metal, não por exigências da moda, mas sim para atender os missionários de zonas tórridas, em favor dos nativos. Também na Grande Guerra os soldados se beneficiaram de tais medalhas, que não se deterioravam como os de lã. Ainda São Pio X declarou muito explicitamente seu desejo de que os fiéis continuassem a utilizar o Escapulário como antes, e que a medalha só fosse usada quando houvesse um inconveniente real em se levar o Escapulário de lã. E corroborando o desejo de São Pio X, Bento XV concedeu uma indulgência ao fiel, a cada vez que ele oscular seu Escapulário. Esta indulgência, porém, não se obtém com a medalha-escapulário. (SOLIMEO, 2006).

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