A grande importância das mães » Homenagem do Blog Mulher Católica à todas as mamães

Por Melissa Bergonso

As mães são essencialmente importantes e têm um papel fundamental na vida de seus filhos, especialmente na formação de suas almas, tendo por uma de suas principais funções bem educá-los no santo amor e no santo temor de Deus e na Santa Religião Católica. E isso é tanto verdade que São Pio X disse: “Dai-me mães verdadeiramente cristãs e eu salvarei o mundo decadente”. Podemos ter uma ideia da responsabilidade das mães perante Deus por essa pequena frase!

Como hoje é Dia das Mães [embora eu esteja postando no fim do dia], quero dedicar a todas as mamães que lêem o blog Mulher Católica uma pequena parte da vida de um grande Santo e Doutor da Igreja que teve uma mãe excepcionalmente zelosa em cuidar de sua alma e em moldá-la e instruí-la para Deus. Quisera Deus que todas as mães exercessem seu papel do modo como essa mãe exerceu! Teríamos, com certeza, grandes santos entre nós e um mundo mais cristão!

Sem esquecermos que a mais excelsa Mãe que temos é Nossa Senhora, consagremos a Ela nossos filhos e também peçamos a Ela o auxílio necessário para bem educá-los no santo amor e no santo temor do Senhor e também na prática da Santa Religião Católica, ensinando-os desde pequeninos a amarem a Deus sobre todas as coisas, a odiarem o pecado e a praticarem as virtudes cristãs, especialmente as da humildade e da pureza, que são tão caras e agradáveis a Deus!

Enfim, desejo do fundo do coração a todas as mamães um:

Feliz Dia das Mães!
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Nota: As partes em negrito referem-se ao papel fundamental que essa mãe exerceu na vida de seu filho e hoje Santo venerado em toda a Igreja!

Santo Afonso de Ligório: seu nascimento, sua infância e sua educação


Em finais do século XVII residia em Nápoles, com o cargo de capitão das galeras do Rei Carlos II, um nobre cavaleiro chamado dom José de Ligório, que unia à sua boa linhagem a mais estimável condição de ser um excelente cristão muito devoto da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja lembrança tinha sempre diante dos olhos por meio de estampas e imagens com as quais se comprazia em adornar a casa e o camarote que ocupava quando se encontrava a bordo de suas galeras.
Era casado com uma senhora chamada dona Ana Catarina Cavalieri, que, inclusive, o excedia na piedade; dela, pode-se dizer que não vivia senão para Deus e para a sua família.

Esse santo casal teve sete filhos, todos eles modelos de virtude, e o maior foi o bem-aventurado protagonista da presente história. Nasceu em uma casa de campo em Marianella, próximo a Nápoles, no dia 27 de setembro do ano de 1696, e aos dois dias de nascido, ou seja, no dia da festividade do Arcanjo São Miguel, recebeu as águas regeneradoras do Batismo e seus piedosos pais consagram-no de uma maneira especial à Santíssima Virgem, sob cuja proteção o puseram.
Quis o Senhor glorificar o berço do menino Afonso, manifestando sua futura santidade, e tomou São Francisco de Jerônimo, grande apóstolo e taumaturgo da Companhia de Jesus, como instrumento para fazê-lo. O santo missionário visitou seu pai D. José poucos dias depois do nascimento de nosso bem-aventurado, e tomando nos braços o recém-nascido, depois de abençoá-lo, disse em um impulso profético, que lembrava o do velho Simeão:
― Este menino chegará a uma idade muito avançada; não morrerá antes dos noventa anos; será bispo e fará grandes coisas para a glória de Jesus Cristo.
Essa profecia impressionou profundamente a virtuosa dona Ana, mãe do menino Afonso, e pode-se supor que a estimulou ainda mais a semear em seu terno coração os germes da fé e da piedade, pois conhecia bastante os deveres de uma mãe e não confiaria a mãos mercenárias a primeira educação de seus filhos.
Todas as manhãs, depois de haver-lhes dado a bênção, ensinava-os a levantar o coração a Deus com simples e ternas orações, e pelas tardes reunia-os junto de si para explicar-lhes noções da Religião e rezar o Santo Rosário e outras orações em honra dos Santos.

Para afastá-los de todo o pecado, desde os seus mais ternos anos, levava-os semanalmente a confessarem-se com seu diretor espiritual, o Padre Pagano, da ordem do Oratório, e, além disso, não perdia nenhuma oportunidade de fazer penetrar em seus corações um ardente amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e uma filial devoção a sua Santíssima Mãe.

Os frutos que obteve com seu santo zelo foram proveitosos em todos os seus filhos, mas Afonso sobrepujou a seus irmãos na virtude. Dotado de excelentes aptidões pessoais e das mais felizes disposições, melhoradas com os dons mais estimados da graça, pode-se dizer que todas as virtudes se constituíram nele como uma segunda natureza. As diversões próprias de sua idade nunca tiveram atrativos para ele; por outro lado, os exercícios de piedade e devoção constituíam todas as suas delícias e com frequência via-se-lhe retirar-se a uma paragem solitária para ali oferecer a Deus orações tão fervorosas quanto prolongadas.
Aos nove anos de idade foi admitido na Congregação de Jovens Nobres, dirigida pelos Padres do Oratório, e não tardou em mostrar-se como um modelo de todas as perfeições aos olhos de seus companheiros, e como um objeto de admiração para todos os seus superiores. Com extraordinário fervor fez a sua primeira Comunhão, e desde então não deixou de frequentar a Mesa Eucarística, com uma devoção que edificava todas as pessoas que tinham oportunidade de surpreendê-lo naqueles momentos, nos quais sua alma parecia derreter-se pelo amor de Deus.
Acostumado por sua virtuosa mãe, desde muito cedo, à prática da oração, mal havia completado doze anos e já podia ser considerado com um mestre nas sublimações de tão santo exercício.
Distinguia-se também nosso bem-aventurado por uma grande delicadeza de consciência e um não menor desprendimento de todas as coisas mundanas, e de ambas as virtudes deu um testemunho muito eloquente na ocasião que passamos agora a relatar.
Certo domingo, depois das vésperas, os Padres do Oratório levaram os jovens congregados a uma casa de campo para que nela descansassem, e os companheiros de Afonso o convidaram participar com eles em um determinado jogo. Durante algum tempo desculpou-se, alegando sua ignorância naquele gênero de entretenimento, mas ao final viu-se obrigado a ceder às suas insistências, e o acaso quis que ganhasse trinta partidas seguidas do sobredito jogo. Um de seus companheiros, com inveja de sua sorte, repreendeu-o acidamente por haver dito que desconhecia aquele jogo, dando a entender que ele tinha procedido com malícia. Afonso, então, tendo o rosto coberto com as cores de uma digna vergonha, respondeu prontamente a seu descomedido companheiro:
― Como! Por uma bagatela como essa ofendeis a Deus? Tomai vosso dinheiro, que não hei de ser eu quem o conserve.
E, ao dizê-lo, atirou ao solo as moedas de cobre que acabara de ganhar, e afastando-se de seus companheiros internou-se na parte mais espessa do bosque sem que voltassem a vê-lo em todo o dia.
Próximo já da noite, os religiosos e os alunos pensaram em regressar à cidade; mas, como o jovem Afonso não aparecia, começaram a chamá-lo, e como não respondia procuraram-no por todo o jardim, encontrando-o ao final de joelhos diante de uma imagem da Virgem, a qual tinha o costume de levar consigo e que havia suspendido com o ramo de uma árvore.
Absorto em estática contemplação diante da santa imagem, não percebeu a presença de seus companheiros, e quando ao fim recobrou o uso de seus sentidos ruborizou-se, vendo-se objeto da contemplação de seus amigos e de sua veneração, ao mesmo tempo em que o companheiro que antes o havia ofendido exclamava cheio de dor e arrependimento:
― O que fiz, Senhor? Afligi a um santo e nunca mo perdoarei!
Esses foram os frutos da educação cristã que nosso Santo recebeu de sua mãe. E nada tem de estranho que não deixasse, até sua velhice, de elogiar os cuidados que ela lhe havia prodigalizado.
― Se pratiquei algum bem em minha infância ― dizia ― se não fiz nada de mau naquela idade, devo-o inteiramente à diligência de minha mãe.
E acrescentava:
― A morte do meu pai fiz a Deus o sacrifício do meu dever, que a natureza parecia impor-me, ao impedir-me de estar ao seu lado; mas quando minha mãe se encontrar na mesma agonia, se não estou impossibilitado de fazê-lo, não terei coragem de deixá-la morrer sem ir dar-lhe assistência.
Os desígnios que Deus havia formado sobre os destinos do jovem Afonso requeriam que este recebesse uma instrução sólida e esmerada; mas seus pais, temerosos dos perigos que pudesse correr em um colégio, deram-lhe dentro de sua casa mestres recomendáveis tanto por seus costumes como por seus talentos. Com uma inteligência viva e prodigiosa memória, fez grandes progressos em latim, grego e francês, assim como em matemática e filosofia. Aplicou-se também ao desenho, à pintura, à arquitetura, à literatura italiana e à música, e obteve grandes resultados nas artes de adorno.
Seu pai, que lhe destinava à magistratura, quis que se dedicasse ao estudo do Direito civil e do canônico, e tais progressos fez neles que com a idade de dezesseis anos foi julgado digno do grau de doutor. Mas a toga que, segundo o costume, teve que vestir para defender sua tese, era longa demais para sua estatura, menos precoce que seu talento, e essa circunstância jocosa, que fez mais patente o mérito do interessante candidato, era recordada por ele com estas palavras, mostra da sã alegria de seu caráter:
— Haviam-me colocado uma casaca tão longa que me passava dos pés, o que divertiu muito os assistentes.
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Vida de Santo Afonso Maria de Ligório. 1a. Edição. Brasília: Pinus, 2010, p. 6-9.

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