Resposta a um comentário de um leitor visitante

Por Melissa Bergonso
Estes dias atrás recebi um comentário que me deixou estarrecida em um dos posts que publiquei ano passado sobre a Missa Pré-Balada. Ainda não consigo compreender como existem “católicos” que pensam como protestantes e/ou como modernistas revolucionários.
A resposta que fiz a este comentário recebido ficou um pouco longa, mas penso que será muito útil publicá-la como post, pois assim ela poderá ser aproveitada por outros leitores e não ficará restrita somente aos comentários do blog.
Devemos rezar muito pela santificação do Clero, para que tenhamos sacerdotes santos que ensinem a doutrina Católica corretamente.
Os comentários desta postagem estão fechados, pois o único objetivo deste post é somente esclarecer algumas questões que são muito comuns na cabeça da maioria dos “católicos modernos”.
O comentário abaixo está na íntegra, sem mudar nenhuma palavra ou erro de grafia.

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Comentário:
Rodrigo disse…

Prezada Melissa, a respeito da missa pré balada também senti no direito de expor minha opnião. Sou JOVEM e sei como o mundo hoje está perigoso, e a facilidade de ser “do mundo” está cada vez mais presente na vida de cada um, isso você tenha certeza! A respeito dos jovens de sua paróquia/comunidade, acredito que os trabalhos prestados por eles sejam profundamete abençoados, formando-os para tornarem-se futuros padres e ensinando outros juntamente com a doutrina tradicional, e respeito muito esta atitude. Mas e os outros jovens? Aqueles que estão perdidos no mundo? Devemos deixá-los de lado? Em minha doutrina como cristão e como gente, Deus ama cada um de nós com seus diferentes defeitos e pecados, e tenho certeza que o que Ele mais quer é tirá-los do fundo do poço. Atualmente a Igreja Católica PERDE muitos jovens para a Igreja Evangélica! Vemos em nossa comunidade que isso acontece frequentemente! Mas, porque? 
O que acontece, cara Melissa, é que a Igreja tem que se adaptar ao estilo dos “novos” jovens, não mais viver na visão tradicionalista e de exclusão. O jovem atual busca a Deus de diversas formas. Ué, não dizem que Deus está em todo o lugar? Pois bem, acredito nisso e tentamos passar isso aos nossos jovens. Foi a partir da missa pré-balada, tão criticada por muitos que conseguimos trazer centenas de jovens à nossa Igreja, e porque? Pois fizemos uma missa com a cara deles, com o que eles gostam, mas em nenhum momento desrespeitamos a liturgia, ao contrário, seguimos ao pé da letra. Vi também sua resposta a respeito da PARTICIPAÇÃO na missa. Fiquei surpreso que você, uma mulher que se diz Católica Apostólica Romana e musicista ainda tem na cabeça que o católico ASSISTE a missa, hoje o sacerdote não a celebra mais de costas para a comunidade, ao contrário, todos nós respondemos as orações eucarísticas, pedimos perdão, agradecemos e rendemos glória, pra você isso não é participar? “O canto e a música guardam uma conexão íntima com a ação liturgica. Critérios de seu bom uso: a beleza expressiva da oração, a PARTICIPAÇÃO UNÂNIME da ASSEMBLÉIA e o caráter sagrado da celebração.” (Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana, Pag 335) É por essas e outras que cada vez mais percebemos que somente os mais velhos, sejam adultos ou idosos vão à Igreja, mas, cadê os jovens? Fique com essa questão. Jovem não é só aquele que você diz que quer seguir a vida sacerdotal, ou que passa à comunidade valores cristão, mas sim aqueles que saem, que se divertem, que dão risada, que são felizes da forma deles. Infelizmente cada um tem um modo de pensar e agir. Se a sua doutrina de cristã e de pessoa pede que somente jovens que pretendem seguir a vida sacerdotal ou que seguem ao pé da letra um catecismo escrito no início do século passado, excluindo aqueles que precisam realmente seguir um caminho de cristão, tudo bem. Continuarei insitindo e trabalhando para que TODOS, e eu digo isso com a maior certeza, independente da vida que cada um possui, tenham a possibilidade de encontrar Deus, pois a Igreja é feita de pessoas. Infelizmente, se continuar assim, a nossa tão amada Igreja Católica chegará ao seu fim, ou seja, vai chegar um momento em que os jovens não estarão mais presentes, e aí?
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Resposta:
Melissa Bergonso disse…

Prezado Rodrigo, Salve Maria.
O modo como você começou sua “opinião” foi um tanto “grosseira”, posso dizer. Posso não ser tão jovem quanto você, porém posso dizer que com o passar dos anos a vida nos ensina muitas coisas, especialmente nos dá maturidade para lidar com certas situações nas quais, quando somos “jovens”, não temos sabedoria, discernimento nem prudência para agir corretamente.
Conheço jovens que não nasceram em berço totalmente católico. Tenho amigos que vieram de famílias esotéricas, espíritas, catolicismo laxo, enfim, são pessoas que posso dizer que vieram do “mundão” também. Mas não é porque estavam no “mundão” que eles foram ou vão procurar subterfúgios mundanos para chegarem mais perto de Deus. Eles vão na fonte da doutrina Católica, não de divertimentos mundanos “pintados de catolicismo”. Jovens estão perdidos no mundo porque não querem renunciá-lo. Jesus disse: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?…” (Mt. 16, 24-26). Ser católico não é fácil, pois “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt. 11, 12). Deus não precisa de católicos mornos; Jesus disse que os mornos, Ele os vomitará (Cf. Ap. 3, 16). 
Você diz “em minha doutrina como cristão e como gente, Deus ama cada um de nós com seus diferentes defeitos e pecados, e tenho certeza que o que Ele mais quer é tirá-los do fundo do poço”. Posso lhe afirmar, com certeza, que Deus não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva (Cf. Ez. 18). Deus ama o pecador, enquanto ele é sua criatura, feita à sua imagem, e quer que ele se converta e alcance a salvação, contudo, Deus odeia o pecado: “Deus odeia igualmente o ímpio e a sua impiedade” (Sab. XIV, 9).
Eu lhe pergunto, qual é a sua “doutrina”? A doutrina que nós, católicos, devemos seguir é uma só, a da Igreja Católica Apostólica Romana. Ninguém tem sua própria doutrina; quem afirma isso são os protestantes, não os católicos. Nada do que a gente professa deve ser diferente do que a Igreja sempre ensinou. Se você faz isso, você erra. A Igreja “perde” fiéis porque aqueles que são responsáveis por eles não cuidam de suas ovelhas. E “cuidar das ovelhas” não significa fazer a vontade dos fiéis, mas ensinar a doutrina da Igreja e também dar bom exemplo. Um padre santo tem fiéis bons, mas um padre medíocre tem fiéis péssimos e tíbios. Santo Cura d’Ars converteu uma paróquia inteira com orações, penitências, confissões, adoração ao Santíssimo e muita repreensão contra bailes e divertimentos mundanos que feriam a virtude da pureza, a moral e os bons costumes cristãos.
A Igreja, Rodrigo, NÃO TEM QUE SE ADAPTAR AOS JOVENS. Afirmar isso é um grande erro de fé. A Palavra e os Ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo são para todo o sempre, jamais mudam. Acaso você nunca leu: “Passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei” (Mt. 5, 18)? Um dos erros acerca do Principado Civil do Pontífice Romano condenado pelo Syllabus de Pio IX é que “O Pontífice Romano pode e deve conciliar-se e transigir com o progresso, com o Liberalismo e com a Civilização moderna”. Isso é CONDENADO pela Igreja. Então você erra quando diz que “a Igreja tem que se adaptar ao estilo dos ‘novos’ jovens”. A Igreja não exclui ninguém, as pessoas é que não querem deixar suas más vidas para seguirem Nosso Senhor Jesus Cristo. Não existe “visão tradicionalista”. O que existe é a Igreja como ela sempre foi, como ela é e sempre será. Deus não muda, a doutrina da Igreja não muda.
Você diz: “Ué, não dizem que Deus está em todo o lugar?”. Eu lhe respondo, conforme Santo Tomás de Aquino, que “Deus está em todas as coisas por essência, presença e potência, como a causa está nos efeitos que participam de sua bondade”; mas há um outro modo que convém somente à criatura racional, segundo o qual Deus se encontra “como o objeto conhecido naquele que o conhece, e o amado, no que ama”. Continua o Santo Doutor explicando que “nenhum outro efeito que não seja a graça santificante pode ser a razão de que a pessoa divina esteja de um modo novo na criatura racional” (Suma Teológica, I, 43,3 c). Ora, como é que Deus nos comunica a graça? Ensina o catecismo [de São Pio X] que é “principalmente por meio dos santos Sacramentos”, sendo que o maior de todos os Sacramentos é o da Santíssima Eucaristia, “porque contém não só a graça, mas também ao mesmo Jesus Cristo, autor da graça e dos Sacramentos”. Continuando o catecismo, a Eucaristia “deve ser adorada por todos, porque Ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor”. Deus mesmo falou: “Adorem-no todos os anjos de Deus” (Hb l, 6; SI 96, 7). E eu lhe pergunto, como é que nós devemos nos portar diante de Jesus na Santíssima Eucaristia?
Se o jovem “atual” busca Deus de “diversas formas” ele busca de modo errado. Só há um lugar na Terra onde Jesus se encontra em Corpo, Sangue, Alma e Divindade: no Sacrário. Lá, Jesus está esperando para ser amado e adorado. Onde mais os jovens pensam encontrar Nosso Senhor? E de que modo eles pensam estar adorando verdadeiramente a Deus? Em meio a danças frenéticas e barulhos infernais? Em Missas profanadas por irreverências, indecências e abusos litúrgicos? É assim que se ama e se teme a Deus no “estilo moderno”?
A Missa “Pré-Balada” desrespeita a liturgia a começar pelo próprio título que leva. Não existe Missa “Pré-Balada”, Missa “Ecológica”, Missa “Sertaneja” e afins. A Missa é uma só, e dar nomes profanos a ela é profaná-la também. Sem contar que sempre essas Missas “diferentes” carregam abusos litúrgicos de uma forma ou de outra, seja na música, na própria liturgia adaptada, nas “danças”, na falta de respeito e na irreverência dentro da Igreja.
Você diz ainda que “Jovem não é só aquele que você diz que quer seguir a vida sacerdotal, ou que passa à comunidade valores cristão, mas sim aqueles que saem, que se divertem, que dão risada, que são felizes da forma deles”. Ser feliz é muito mais do que sair, se divertir e dar risada. Ser feliz é estar na graça de Deus, ser templo do Espírito Santo. Existem diversas formas de um jovem católico se divertir saudavelmente e posso lhe garantir que não é indo a baladas ou divertimentos contrários à moral cristã. Nossos jovens, por exemplo, se divertem com coisas saudáveis à alma e ricas ao intelecto e à fé e nem por isso são infelizes ou tristes. São jovens muito ativos, empenhados e cheios do amor de Deus.
Você sabe realmente porque os jovens de hoje não vão à Igreja ou viram protestantes (quando não viram ateus…)? Porque não têm pais que os ensinem desde cedo o catecismo e o amor a Deus e à Igreja; porque não tem padres que os orientem retamente; porque também passam as noites nas baladas e várias horas do dia vendo tv, contaminando-se com a podridão do mundo através desses tipos de “lazer” imprestáveis à alma.
Você não deveria se surpreender por eu dizer que nós, católicos, assistimos à Missa. A participação dos fiéis tem a ver com outra coisa e isso é bem explicado na Encíclica Mediator Dei, de Pio XII. Veja o que ele fala sobre a “participação dos fiéis”:

“Tende em vós os mesmos sentimentos que Jesus Cristo experimentou” (Fl. 2, 5), oferecendo com ele e por ele, santificando-se com ele. 

[…]

“Alimentai em vós os mesmos sentimentos que existiram em Jesus Cristo” exige de todos os cristãos que reproduzam em si, enquanto está em poder do homem, o mesmo estado de alma que tinha o divino Redentor quando fazia o sacrifício de si mesmo, a humilde submissão do espírito, isto é, a adoração, a honra, o louvor e a ação de graças à majestade suprema de Deus; requer, além disso, que reproduzam em si mesmos as condições da vítima: a abnegação de si conforme os preceitos do evangelho, o voluntário e espontâneo exercício da penitência, a dor e a expiação dos próprios pecados. Exige, em uma palavra, a nossa morte mística na cruz com Cristo, de modo que possamos dizer com Paulo: “Estou crucificado com Cristo na cruz”(Gl. 2, 19).

Quais os sentimentos que você acha que Jesus experimentou quando estava sendo açoitado e crucificado? Não era de euforia, com certeza. Era de dor extrema, perplexa, infinita, pelos pecados da humanidade. Uma dor que transpassa a alma. Então é assim que nós devemos participar do Santo Sacrifício do Altar, da Santa Missa.
Na Mediator Dei também se fala sobre a participação dos fiéis em algumas partes da Missa, como nos cantos e nas respostas, no mais, nós assistimos à Missa. Infelizmente, hoje em dia, facilmente a expressão “participar da Santa Missa” é entendida de forma equívoca.
Assistindo, pois, ao altar, devemos transformar a nossa alma de modo que se apague radicalmente todo o pecado que está nela, e com toda diligência se restaure e reforce tudo aquilo que, mediante Cristo, dá a vida sobrenatural: e assim nos tornemos, junto com a hóstia imaculada, uma vítima agradável a Deus Pai. (Pio XII, Mediator Dei)
São Pio de Pietrelcina também é muito claro quando diz que devemos assistir à Santa Missa “como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu São João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz”
Em seu comentário, Rodrigo, você disse algo que é fruto de pura ignorância: “hoje o sacerdote não a celebra mais de costas para a comunidade”. Para lhe esclarecer, o sacerdote não reza a Missa “de costas para o povo”, mas sim de frente para Deus. Essa posição é chamada de versus Deum, que significa “de frente para Deus”. A posição da maioria dos padres que rezam a Missa segundo o Novus Ordo é chamada versus Populum, que significa “de frente para o povo”. Portanto, não diga o que você não sabe e não fale daquilo que você não conhece. Aliás, sugiro que você pesquise alguns exemplos de liturgia católica oriental para verificar qual é a posição do celebrante durante a Missa.
O que eu falo não é “minha doutrina de cristã e de pessoa”, mas sim a Doutrina da Santa Igreja. Não confunda as coisas. O Catecismo “escrito no século passado” é de um dos maiores Papas Santos que a Igreja já teve. Guarde sua língua para falar de São Pio X. Se ele estivesse vivo hoje, provavelmente pensamentos como os seus seriam anatematizados o quanto antes para não darem margem a erros e à confusão de mais jovens. Você deveria envergonhar-se de se referenciar ao Catecismo de São Pio X com um tom pejorativo e de desdenho. Como eu disse, a doutrina da Igreja é uma só, não muda com o tempo, portanto o Catecismo de São Pio X continua atual. Quando o Papa Bento XVI ainda era Cardeal ele disse que: “A fé como tal é sempre idêntica. Portanto, o Catecismo de São Pio X conserva sempre o seu valor”. O que São Pio X escreveu em seu catecismo vale até hoje e se você diz o contrário, você está indo contra a própria Igreja. Acaso agora você vai vir me dizer que o Concílio de Trento, o IV Concílio de Latrão ou os demais Concílios passados não valem mais? Acaso há “prazo de validade” para a doutrina Católica?
Por fim, você diz que “infelizmente, se continuar assim, a nossa tão amada Igreja Católica chegará ao seu fim”. Eu lhe corrijo, lembrando-lhe da promessa de Nosso Senhor, de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja Católica (Cf. Mt. 16, 18), portanto, a Igreja JAMAIS vai acabar, tendo por membros pessoas boas ou ruins, poucos jovens ou muitos velhos. 
Fique com Deus.
Em Cristo,
Melissa