Vivendo nas catacumbas…

Por Melissa Bergonso 
Já estamos vivendo nas catacumbas. Difícil acreditar? Não, não mais. Não podemos testemunhar o catolicismo, porque somos tidos por loucos, extremistas e fanáticos. Alguns acham que os católicos (os que testemunham a fé, não os “de certidão”) são prejudiciais à sociedade e até mesmo para a Igreja! Para a Igreja? É um pouco paradoxal demais… Basta você querer tudo certinho que você é uma ameaça. Realmente, se você assim procede, pode se tornar uma ameaça aos clérigos e leigos modernistas e relativistas, aqueles que gostam de inúmeras novidades durante a Missa e que não se importam com a sacralidade das funções e elementos litúrgicos porque “tanto faz”, o que importa é “atrair o povo pra Igreja”, não importando de que forma.

Fico realmente espantada ao ver a ignorância de certas pessoas que se dizem “católicas”. A maioria delas nem lê o catecismo. Outras delas acham que o catecismo de São Pio X é fora de moda, porque foi escrito no “século passado”. Outras ainda se acham doutas porque leram um “livrinho” chufrenca de algum “católico” modernista e ficam repassando aos outros os equívocos aprendidos nesses “livrinhos”. Muitos, realmente, se dizem católicos, mas quantos, de fato, vivem o catolicismo? Difícil… Difícil porque o que Jesus pediu nem todo mundo consegue compreender e realizar: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?…” (Mt. 16, 24-26).

Quem tem coragem de despojar-se e abdicar-se de si mesmo? Fazer isso é tarefa árdua, por vezes exaustiva. Envolve lutas diárias, quedas e tropeços…

Estamos, já, vivendo nas catacumbas. E digo isso sem meias palavras, pois:

– Quando um padre é expulso de sua paróquia porque é zeloso com as almas dos fiéis, vivemos nas catacumbas…
– Quando um padre é perseguido por seus próprios irmãos de sacerdócio por rezar e apreciar o Rito Tridentino, vivemos nas catacumbas…
– Quando um sacerdote é proibido de rezar a Missa de Sempre, vivemos nas catacumbas…
– Quando a assistência social invade a casa de uma família porque esta ensina valores cristãos aos filhos, vivemos nas catacumbas…
– Quando somos ridicularizados, desprezados e ameaçados por defendermos os valores morais cristãos, vivemos nas catacumbas…
– Quando a Missa Tridentina, que tanto desejamos, nos é negada, impedida ou dificultada, vivemos nas catacumbas…
– Quando um sacerdote santo é transferido de paróquia e enclausurado em um seminário porque não dá comunhão a pessoas vestidas indecentemente e não permite abusos na Igreja nem irreverências com Nosso Senhor, vivemos nas catacumbas…
– Quando somos a minoria católica, espezinhada e agredida, vivemos nas catacumbas…

E tem gente que ainda acha que ser católico é fácil… quem pensa assim precisa comprar algodão doce, pois Jesus diz que “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt. 11, 12).

Estamos vivendo nas catacumbas, mas em breve o Sol da Justiça Divina vai brilhar. Se ninguém na Terra nos ouve, Deus nos Céus nos ouve e não tardará a fazer justiça aos seus.

Fiquem com Deus.
Salve Maria.

Comentários ( 20 )

  • Você tem toda a razão.

    O pior é que a maioria das pessoas não percebe esta triste situação; acham que está tudo bem, tudo certo.

    Que Nossa Senhora, Refúgio dos Cristãos, nos ampare nas provações.

  • Ótimo texto, Mel!

    E tem mesmo que falar claramente, pra ver se muito católico ‘algodão doce’ acorda pra crise que vivemos! [aliás, adorei os termos irônicos que você usou rsrs]

    E sim, voltamos aos primórdios do catolicismo. Creio eu que para começarmos a, de fato, termos de nos esconder para não sermos mortos falta pouco, bem pouco.

    Mas como disse Nossa Senhora em suas inúmeras aparições: no fim, Deus fará justiça aos seus, o Coração Imaculado de Maria triunfará, e os pés da Santíssima esmagará a cabeça do demônio!

    Rezemos!

    Salve Maria!

  • É, Evelyn, eu também acho que falta pouco pra gente ter que se esconder, literalmente… Temos que rezar muito mesmo para que o Coração Imaculado de Maria triunfe logo!

    Salve Maria!

  • Interessante texto, é incrível como as pessoas só faltam nos agredir quando dizemos que certas condutas dentro da igreja é errada, só porque um padre famoso disse que é certo ser assim. Não aguento mais essa conversinha mole de que temos de atrair jovens para a Igreja com baladinha, rock entre outras coisas, que estamos perdendo para as demais seitas protestantes, aff.
    Eu também sou jovem tenho 19 anos e o que me atraiu para igreja foi Jesus Sacramentado e não dancinhas. Em breve teremos de nos esconder dos próprios “católicos” ou deveria dizer caóticos (porque pregam o caos na Igreja). Desculpe o desabafo.
    Com carinho,
    Lidia

  • Eu acredito que todas as pessoas que manifestam sua religiosidade de maneira comprometida são alvos de preconceito.

    Por isso o respeito entre as pessoas é fundamental. Você não precisa promover um falso ecumenismo para ser político.

    Religião, ética, filosofia e moral são assuntos que não podem ser conversados em qualquer lugar com qualquer pessoa, infelizmente.

  • Ana, fico feliz que você tenha gostado do artigo. Depois de ler a notícia que saiu no Fratres hoje, fiquei tão indignada que tive que escrever.

  • Agatha, de fato tem coisa que não dá pra falar com todo mundo, porque senão a gente é literalmente chamado de louco. Mas tem horas que também não dá pra calar, porque a ignorância e a hipocrisia é reinante demais na cabeça das pessoas. Se a gente se cala, a gente peca por omissão. Tem gente que por medo de “ofender” o outro não faz e não fala absolutamente nada em defesa de Nosso Senhor e da Fé Católica… o que é triste e lamentável :S

  • Melissa, acredito que temos que dizer as verdades da Igreja Católica, segundo os documentos formais do Vaticano, daquilo que acreditamos.
    Mas dizer, evangelizar, não significa “impor”, como algumas religiões o fazem.
    Observo que os católicos neste ponto são mais equilibrados, sábios, sensatos e humanos. O católico tem um propósito missionário de levar a palavra de Deus, mas existem pessoas que não tem interesse de ouvir, de conhecer a verdade.
    Além disso, o fato de você ser exemplo na sociedade, na comunidade, no meio virtual e para a sua própria família inspira as pessoas a buscarem a Deus, a Igreja Católica.
    É só minha opinião e se estiver falando besteiras, me corrija, por favor.

    Fique com Deus !

  • Desde o triunfo dos liberais na conclusão do CVII – entenda-se que antes ja tinha esse clamor -, qualquer coisa que ligue um Católico a verdadeira religião virou “impor” e ultrapassado.

    Fora da Igreja n há salvação É DOGMA e quem tem coragem de falar isso por aí? Falei na comu véu e um verme de missa de motu que se acha o dono da cocada preta foi me insultar. Tb falei para um herege que se meteu lá, tb fui insultada e n gostaram. Teve um falou que eu n teria salvação.

    Ora, se falar na lata pra essa gente que estão errados e têm que se converter é ofensa, já n sei mais o que é falar a verdade.

    N pode falar assim na lata ofende o irmãozinho separado, ele que vá as favas. Querem ver já vem um aqui me dizer que sou dura de coração?

    O Católico leva a palavra de Deus, com atitudes e palavras tb a outra pessoa n quer ouvir bata o pó.

  • Agatha, acho que entendi o que você quis dizer, mas vou fazer algumas colocações.

    Nós temos que ensinar as Verdades reveladas por Deus dais quais só a Igreja Católica é fiel guardiã. Elas estão contidas nas Escrituras, no Magistério e na Tradição da Igreja. Eu entendi o que você quis dizer com “daquilo que acreditamos”, mas talvez seria melhor se você tivesse escrito da seguinte maneira: “temos que dizer as Verdades reveladas por Deus guardadas somente pela Igreja Católica, às quais acreditamos”. O “daquilo que acreditamos” fica vago, ambíguo, dá impressão que qualquer coisa que a gente acredite é válido, mas sei que não foi isso o que você quis dizer.

    Concordo plenamente com você no sentido da gente ser exemplo na sociedade. Uma vez ouvi alguém dizer que “as palavras comovem, mas os testemunhos arrastam”.

    Com relação ao “impor”, tenho que pesquisar umas coisas antes de responder, para não falar bobeiras. Tenho umas coisas em mente, mas quero ver se elas procedem.

    Beijos e fica com Deus!!

  • Sim, Melissa concordo. Realmente dizer “daquilo que acreditamos” remete a uma postura muito subjetiva sobre as verdades da Igreja.

    Eu entendo que muitas vezes não é a mensagem que você diz, mas o “como você diz”. Você pode ser firme, sem ter que recorrer a uma postura indelicada, demasiadamente exaltada. Mas sei que é desafiador conciliar e trabalhar essas virtudes, ainda mais com pessoas que não compartilham da mesma fé que você. Nesse caso aquela diferença entre autoridade e autoritarismo é pertinente.

    Bjuss

  • Olha, Agatha, de fato, o “como você diz” é importante, porém, em certas ocasiões, creio eu que não dá pra ser “delicado” no falar, senão a gente vira maria-mole.

    Uma vez eu briguei feio com um colega de faculdade protestante. Fiquei muito brava, porque ele levou uns livretinhos sobre os dogmas da Igreja Católica cheios de coisas falsas e mentiras e começou a distribuir para alguns colegas durante a aula. Aí, uma amiga minha me mostrou o livrinho, e meu sangue ferveu! Esperei a aula terminar, e depois que todo mundo saiu fui falar com ele, e briguei, porque aquilo era realmente vergonhoso e tudo o que estava escrito naqueles livretinhos eram mentiras acerca da Fé Católica.

    Penso que em certos momentos não dá para ser “cordial” e “político”; circunstâncias como estas exigem posturas mais firmes. Se tenho que defender minha fé, tenho que defender com unhas e dentes. Não dá pra ser delicado numa situação dessas. Obviamente não ser delicado não significa baixar o nível e faltar com respeito e educação, mas responder firme, mostrando os erros e argumentando contra eles. Se a gente fica com medo de falar a verdade ao outro por puro respeito humano, a gente vira covarde, e soldados covardes, Nosso Senhor não precisa.

    Obviamente, existem situações também que é melhor calar do que falar, pois se falarmos jogaremos “pérolas aos porcos”. Nestas horas, a virtude da prudência é a melhor amiga e a virtude da paciência uma grande aliada!!…

  • Bom, neste caso que você colocou, o sujeito foi muito indelicado e mereceu ouvir, mesmo.
    Com certeza, tem horas que uma postura mais firme é necessária. Tem horas que cansa ser “Miss Simpatia”.

  • Me mandaram uma msg que tem a ver com a postura que você menciona nos comentários. Achei pertinente um trecho dela.

    “Comunicar é sempre um desafio!
    Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.

    Por quê?

    •Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
    •Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.
    •Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
    •Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade. “

  • Depois que a modernidade entrou na Igreja, tudo de pior vai entrar. Freiras sem hábito pra mim é o começo do cúmulo; vai falar e explicar que está errado?Você é linchado.Fala de Pe. Favo de Mel, vocÊ apanha;fala pq não gosta da CNBB,dizem vc é desobediente à Santa Igreja.Presenciamos apenas o começo do tsunami que virá.
    Infelizmente, hoje não dá pra se horrorizar com mais nada,o caos é geral.

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