Da Penitência: § 6º. Da acusação dos pecados ao confessor

08/12/2010 Penitência | Sacramentos 3 Comentários
Por São Pio X

740. Depois de vos terdes disposto bem para a confissão com o exame, com a dor e com o propósito, que haveis de fazer?

Depois de me ter disposto bem com o exame, com a dor e com o propósito, irei fazer ao confessor a acusação dos meus pecados, para receber a absolvição.
741. De que pecados somos obrigados a confessar-nos?
Somos obrigados a confessar-nos de todos os pecados mortais; é bom, porém, confessar também os veniais.
742. Quais são as qualidades que deve ter a acusação dos pecados, ou confissão?
As qualidades principais que deve ter a acusação dos pecados são cinco: deve ser humilde, íntegra, sincera, prudente e breve.
743. Que querem dizer as palavras: a acusação deve ser humilde?
A acusação deve ser humilde quer dizer que o penitente deve acusar-se diante do seu confessor sem altivez de ânimo ou de palavras, mas com sentimentos de um réu que reconhece a sua culpa e comparece diante do juiz.
744. Que quer dizer: a acusação deve ser íntegra?
A acusação deve ser íntegra quer dizer que se devem confessar, com as suas circunstâncias e no seu número, todos os pecados mortais cometidos desde a última confissão bem feita, e dos quais se tem consciência.
745. Quais são as circunstâncias que se devem dizer para que a acusação seja íntegra?
Para que a acusação seja íntegra, devem acusar-se as circunstâncias que mudam a espécie do pecado.
746. Quais são as circunstâncias que mudam a espécie do pecado?
As circunstâncias que mudam a espécie do pecado são: 1º. aquelas pelas quais uma ação pecaminosa de venial se torna mortal; 2º. aquelas pelas quais uma ação pecaminosa contém a malícia de dois ou mais pecados mortais.
747. Dai-me um exemplo de uma circunstância que faça tornar mortal um pecado venial?
Quem, para se desculpar, dissesse uma mentira da qual resultasse dano grave para o próximo, deveria manifestar esta circunstância, que muda a mentira de oficiosa em gravemente nociva.
748. Dai-me agora exemplo de uma circunstância pela qual uma e a mesma ação pecaminosa contém a malícia de dois ou mais pecados?
Quem tivesse roubado uma coisa sagrada deveria acusar esta circunstância, que acrescenta ao furto a malícia do sacrilégio.
749. Se uma pessoa não tiver a certeza de ter cometido um pecado, deve confessá-lo?
Se uma pessoa não tiver a certeza de ter cometido um pecado, não é obrigada a confessá-lo; se porém o quiser acusar, deverá acrescentar que não tem certeza de o ter cometido.
750. Quem não se lembra exatamente do número dos seus pecados, que deve fazer?
Quem não se lembra exatamente do número dos seus pecados deve acusar o número aproximado.
751. Quem deixou de confessar por esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão?
Quem deixou de confessar por esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão, contanto que tenha empregado a devida diligência no exame de consciência.
752. Se um pecado mortal esquecido na confissão volta depois à lembrança, somos obrigados a acusá-lo noutra confissão?
Se um pecado mortal esquecida na confissão volta depois à lembrança, somos obrigados, sem dúvida, a acusá-lo na primeira vez que de novo nos confessarmos.
753. Quem por vergonha, ou por outro motivo culpável, cala voluntariamente na confissão algum pecado mortal, este que comete?
Quem, por vergonha, ou por qualquer outro motivo culpável, cala voluntariamente algum pecado mortal na confissão, este profana o Sacramento e por isso se torna réu de gravíssimo sacrilégio.
754. Quem ocultou voluntariamente algum pecado mortal na confissão, este como há de conciliar a própria consciência?
Quem ocultou culpavelmente algum pecado mortal na confissão deve expor ao confessor o pecado ocultado, dizer em quantas confissões o ocultou, e repetir todas as confissões desde a última bem feita.
755. Que deve considerar quem se vir tentado a calar algum pecado na confissão?
Quem se vir tentado a calar um pecado grave na confissão deve considerar: 1º. que não teve vergonha de pecar na presença de Deus, que vê tudo; 2º. que é melhor manifestar os próprios pecados ao confessor em segredo do que viver inquieto no pecado, ou ter uma morte infeliz, e ser por isso envergonhado no dia do Juízo universal, em face do mundo inteiro; 3º. que o confessor é obrigado ao sigilo sacramental, sob pecado gravíssimo, e com a ameaça de severíssimas penas temporais e eternas.
756. Que significam estas palavras: a acusação deve ser sincera?
A acusação deve ser sincera significa que é necessário declarar os pecados como eles são, sem os desculpar, sem os diminuir e sem os aumentar.
757. Que significam estas palavras: a confissão deve ser prudente?
A confissão deve ser prudente significa que, ao confessarmos os pecados, devemos servir-nos dos termos mais modestos, e que devemos guardar-nos de descobrir os pecados alheios.
758. Que significam estas palavras: a confissão deve ser breve?
A confissão deve ser breve significa que não devemos ir falar de coisas inúteis ao confessor.
759. Mas o dever de confessar a outro homem os próprios pecados não será muito custoso, sobretudo se são muito vergonhosos?
Ainda que confessar a outro homem os próprios pecados possa ser penoso, é necessário fazê-lo, porque é de preceito divino; e de outro modo não se pode obter o perdão dos pecados cometidos; além disso, a dificuldade de se confessar é compensada por muitas vantagens e grandes consolações.
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São Pio X. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, p. 180-184.

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