Da Penitência: § 1º. Da Penitência em geral

07/12/2010 Penitência | Sacramentos Nenhum comentário
Por São Pio X
670. Que é o Sacramento da Penitência?
A Penitência, chamada também Confissão, é o Sacramento instituído por Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.
671. Por que se dá a este Sacramento o nome de Penitência?
Dá-se a este Sacramento o nome de Penitência porque, para obter o perdão dos pecados, é necessário detestá-los com arrependimento, e porque quem cometeu uma falta deve sujeitar-se à pena que o Sacerdote impõe.
672. Por que este Sacramento se chama também Confissão?
Chama-se este Sacramento também Confissão porque, para alcançar o perdão dos pecados, não bata detestá-los, mas é necessário acusar-se deles ao Sacerdote, isto é, confessá-los.
673. Quando Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência?
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência no dia da sua Ressurreição, quando, depois de entrar no cenáculo, deu solenemente aos seus Apóstolos o poder de perdoar os pecados.
674. Como deu Jesus Cristo aos seus Apóstolos o poder de perdoar os pecados?
Jesus Cristo deu aos seus Apóstolos o poder de perdoar os pecados soprando sobre eles, e dizendo: Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.
675. Qual é a matéria do Sacramento da Penitência?
Distingue-se a matéria do Sacramento da Penitência em remota e próxima. A matéria remota é constituída pelos pecados cometidos pelo penitente depois do Batismo, e a matéria próxima são os atos do próprio penitente, isto é, a contrição, a acusação e a satisfação.
676. Qual é a forma do Sacramento da Penitência?
A forma do Sacramento da Penitência é esta: Eu te absolvo dos teus pecados.
677. Quem é o ministro do Sacramento da Penitência?
O ministro do Sacramento da Penitência é o Sacerdote aprovado pelo Bispo para ouvir confissões.
678. Por que o Sacerdote deve ser aprovado pelo Bispo?
 O Sacerdote deve ser aprovado pelo Bispo para ouvir confissões porque, para administrar validamente este Sacramento, não basta o poder da Ordem, mas é necessário também o poder de Jurisdição, isto é, a faculdade de julgar, que deve ser dada pelo Bispo.
679. Quantas são as partes do Sacramento da Penitência?
As partes do Sacramento da Penitência são: a contrição, a confissão e a satisfação da parte do pecador, e a absolvição da parte do sacerdote.
680. Que é a contrição ou dor dos pecados?
A contrição ou dor dos pecados é um desgosto da alma pelo qual se detestam os pecados cometidos, e pelo qual o pecador se propõe não os tornar a cometer no futuro.
681. Que quer dizer esta palavra contrição?
A palavra contrição quer dizer fratura ou despedaçamento, como quando uma pedra é esmagada e reduzida a pó.
682. Por que se dá o nome de contrição à dor dos pecados?
Dá-se o nome de contrição à dor dos pecados para significar que o coração duro do pecador de certo modo se despedaça pela dor de ter ofendido a Deus.
683. Em que consiste a confissão dos pecados?
A confissão consiste na acusação distinta dos nossos pecados ao confessor, para dele recebermos a absolvição e a penitência.
684. Por que a confissão se chama acusação?
Chama-se a confissão acusação porque não deve ser uma narração indiferente, mas sim uma verdadeira e dolorosa manifestação dos próprios pecados.
685. Que é a satisfação ou penitência?
A satisfação ou penitência é a oração ou outra boa obra que o confessor impõe ao pecador em expiação dos seus pecados.
686. Que é a absolvição?
A absolvição é a sentença que o Sacerdote pronuncia, em nome de Jesus Cristo, para perdoar os pecados ao pecador.
687. Das partes do Sacramento da Penitência, qual é a mais necessária?
Das partes do Sacramento da Penitência, a mais necessária é a contrição, porque sem ela nunca se pode obter o perdão dos pecados, e com ela só, quando é perfeita, pode obter-se o perdão, contanto que esteja unida ao desejo, ao menos implícito, de confessar-se.
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São Pio X. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, p. 168-171.

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