Da Ordem

Por São Pio X
811. Que é o Sacramento da Ordem?
A Ordem é o Sacramento que dá o poder de exercitar os ministérios sagrados que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas, e que imprime na alma de quem o recebe o caráter de ministro de Deus.
812. Por que se chama Ordem?
Chama-se Ordem porque consiste em vários graus, uns subordinados aos outros, dos quais resulta a sagrada Hierarquia.
813. Quais são estes graus?
Supremo entre eles é o Episcopado, que contém a plenitude do Sacerdócio; em seguida o Presbiterado ou Sacerdócio simples; depois o Diaconato e as Ordens que se chamam menores.
814. Quando Jesus Cristo instituiu a Ordem Sacerdotal?
Jesus Cristo instituiu a Ordem Sacerdotal na Última Ceia, quando conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores o poder de consagrar a Santíssima Eucaristia. E no dia da sua ressurreição conferiu aos mesmos Apóstolos e seus sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados, constituindo-os assim os primeiros Sacerdotes da Nova Lei em toda a plenitude do seu poder.
815. Quem é o ministro deste Sacramento?
O ministro deste Sacramento é só o Bispo.
816. É então grande a dignidade do Sacerdócio cristão?
A dignidade do Sacerdócio cristão é muito grande, pelo duplo poder que lhe conferiu Jesus Cristo sobre o seu Corpo real e sobre o seu Corpo místico, que é a Igreja, e pela divina missão, confiada aos Sacerdotes, de conduzir todos os homens à vida eterna.
817. É necessário o Sacerdócio católico na Igreja?
O Sacerdócio católico é necessário na Igreja, porque sem ele os fiéis estariam privados do Santo Sacrifício da Missa e da maior parte dos Sacramentos; não teriam quem os instruísse na fé, e ficariam como ovelhas sem pastor à mercê dos lobos; em suma, não existiria a Igreja como Cristo a instituiu.
818. Então não acabará nunca o Sacerdócio católico sobre a terra?
O Sacerdócio católico, não obstante a guerra que contra ele move o inferno, há de durar até o fim dos séculos, porque Jesus Cristo prometeu que as potências do inferno não prevaleceriam jamais contra a sua Igreja.
819. Será pecado desprezar os Sacerdotes?
É pecado gravíssimo, porque o desprezo e as injúrias que se dirigem contra os Sacerdotes recaem sobre o próprio Jesus Cristo, que disse aos seus Apóstolos: Quem a vós despreza, a Mim me despreza.
820. Qual deve ser o fim de quem abraça o estado eclesiástico?
O fim de quem abraça o estado eclesiástico deve ser unicamente a glória de Deus e a salvação das almas.
821. Que é necessário para entrar no estado eclesiástico?
Para entrar no estado eclesiástico, é necessário ter, antes de tudo, a vocação divina.
822. Que deve fazer o cristão para saber se Deus o chama ao estado eclesiástico?
Para saber se Deus o chama ao estado eclesiástico, o cristão deve: 1º. pedir fervorosamente a Nosso Senhor que lhe manifeste qual é a sua vontade; 2º. tomar conselho com o próprio Bispo ou com um diretor sábio e prudente; 3º. examinar com diligência se tem a aptidão necessária para os estudos, para os ministérios e para as obrigações deste estado.
823. Quem entrasse para o estado eclesiástico sem vocação divina faria mal?
Quem entrasse para o estado eclesiástico sem ser chamado por Deus faria um mal muito grave e se poria em risco de perder-se.
824. Fazem mal os pais que, por motivos temporais, induzem os filhos a abraçar o estado eclesiástico sem vocação?
Os pais que, por motivos temporais, induzem os filhos a abraçar o estado eclesiástico sem vocação cometem também culpa gravíssima, porque com isso usurpam o direito que Deus reservou exclusivamente para Si de escolher os seus ministros, e porque põem os filhos em risco de condenação eterna.
825. Quais são os deveres dos fiéis para com aqueles que são chamados às ordens sacras?
Os fiéis devem: 1º. deixar aos seus filhos e subordinados plena liberdade de seguir a vocação divina; 2º. pedir a Deus que se digne conceder à sua Igreja bons Pastores e ministros zelosos; e até foram instituídos para este fim os jejuns das Quatro Têmporas; 3º. ter um respeito singular por todos aqueles que, por meio das Ordens, são consagrados ao serviço de Deus.
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São Pio X. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, p. 195-198.