Matéria e Forma do Sacramento da Eucaristia: Transubstanciação, Presença Real e Acidentes Eucarísticos

17/11/2010 Jesus Cristo 2 Comentários
Por Pe. Tomaz Pegues

Qual é a matéria do Sacramento da Eucaristia?

Pão de trigo e vinho de uva (LXXIV, 1, 2).

Que sucede na matéria, no momento de consagrar?

Que a substância do pão deixa de ser pão e a do vinho deixa de ser vinho (LXXIV, 2).

Em que se convertem as substâncias do pão e do vinho?

A do pão no corpo de Jesus Cristo e a do vinho no seu sangue (LXXV, 3, 4).

Que nome tem esta conversão ou troca?

O de Transubstanciação (LXXV, 4).

Que expressa a palavra transubstanciação?

A conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue.

Quem é capaz de efetuar tão estupenda transformação?

Só a Onipotência divina (Ibid).

Converte-se no corpo e sangue de Cristo somente a substância, ou tudo o que existe no pão e no vinho?

Somente a substância, permanecendo sem alteração os acidentes (LXXV, 2 ad 3).

Que entendeis, quando afirmais que permanecem os acidentes?

Que continuam, no mesmo estado, a extensão ou quantidade, a figura, a cor, o gosto, resistência e mais propriedades ou entidades sensíveis, por meio das quais viemos ao conhecimento do pão e vinho, antes da consagração.

Por que não se transformam também os acidentes?

Porque são necessários para manter e assegurar a presença sacramental de Jesus Cristo (Summa contra gentes, livro IV cap. LXIII)

Que aconteceria, se os acidentes se transformassem em corpo e sangue de Cristo?

Que o que foi pão e vinho desapareceria absoluta e totalmente (Ibid).

Que se segue, pelo contrário, com a permanência das espécies sacramentais?

Que, ligados a elas, mediante as suas respectivas substâncias, estão o corpo e sangue de Cristo, do mesmo modo como o estavam as substâncias do pão e vinho, de sorte que, assim como antes da transubstanciação, ao tocar os acidentes, tínhamos nas mãos as substâncias do pão e do vinho, temos, depois da transubstanciação, o corpo e o sangue de Cristo (Ibid).

O que há sob as espécies depois da consagração é, identicamente, o mesmo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Sim, Senhor (LXXV, 1).

Acha-se Jesus Cristo inteiro e completo no sacramento da Eucaristia?

Sim, Senhor; porque, se bem que sob as espécies do pão, em virtude das palavras sacramentais, só está o corpo e sob as do vinho o sangue, por concomitância, e já porque é impossível separar, na sua humanidade, os dois elementos, como foram separados na cruz, onde quer que esteja o corpo, ali está o sangue e a alma, e, onde se ache o sangue, o acompanham a alma e o corpo. Quanto à divindade não há dificuldades, pois, nunca, nem mesmo durante a morte do Redentor, se separou a pessoa divina da cada um dos componentes de sua humanidade (LXXVI, 1, 3).

Está Jesus Cristo inteiro em cada parte das espécies sacramentais?

Enquanto as espécies permanecem indivisas está completo em todo o Sacramento, e quando se fracionam, está tantas vezes inteiro e completo, quantas partes se hajam feito (LXXVI, 3).

É possível ver, tocar, ou de algum modo chegar ao corpo de Jesus Cristo no estado sacramental?

Não, Senhor; porque aquelas espécies acessórias aos nossos sentidos, não são acidentes do corpo de Cristo, único meio de chegar à sua substância (LXXV, 4-8).

Que se deduz desta verdade?

Que as espécies sacramentais o encerram como prisioneiro, e por sua vez o protegem, de sorte que, quando algum desalmado intente enfurecer-se contra o corpo de Cristo, só consegue profanar o Sacramento.

São inalteráveis as espécies sacramentais depois da consagração?

Não, Senhor; decompõem-se e transformam-se depois de poucos momentos de ingeridas como alimento, e também se corrompem abandonadas por muito tempo à ação dos agentes atmosféricos (LXXVII, 4).

Que sucede quando as espécies deixam de ser os acidentes do pão e do vinho, consagrados?

Que no mesmo instante cessa a presença eucarística de Jesus Cristo, pelo fato de desaparecer o motivo que o retinha enlaçado aos acidentes, e, mediante os acidentes, ao lugar por eles ocupado (LXXVI, 6 ad 3).

Logo, a presença eucarística de Jesus Cristo num lugar depende exclusivamente da consagração e da permanência dos mesmos acidentes do pão e do vinho consagrados?

Sim, Senhor; visto que a razão de tal presença, não podem ser as mudanças operadas no corpo impassível de Cristo, mas no pão e no vinho (Ibid).

Como se consagra?

Pronunciando com as devidas condições, a forma da Consagração (LXXVIII).

Qual é?

Para consagrar o pão: Isto é o meu corpo. Para consagrar o vinho: Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue do novo e eterno testamento, que por vós e por muitos será derramado em remissão dos pecados.

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PEGUES, Tomaz, O. P. A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de catecismo: para uso de todos os fiéis. Taubaté: Editora SCJ, 1942, p. 219-221.

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1
Sacris solémniis juncta sint gáudia,
Et ex præcórdiis sonent præcónia;
Recédant vétera, nova sint ómnia,
Corda, voces, et ópera.

Incorporemo-nos com alegria nesta solenidade santa. E da nossa alma irrompa o pregão da vitória. Morram os velhos hábitos perante a renovação dos espíritos.

2
Noctis recólitur cœna novíssima,
Qua Christus créditur agnum et ázyma
Dedísse frátribus, juxta legítima
Priscis indulta pátribus.

Rememora-se hoje a última ceia, celebrada naquela noite em que o Senhor deu aos discípulos o cordeiro e os ázimos, conforme as prescrições que dera por sua misericórdia aos padres da aliança antiga.

3
Post agnum týpicum, explétis épulis,
Corpus Domínicum datum discípulis,
Sic totum ómnibus, quod totum síngulis,
Ejus fatémur mánibus.

Depois do cordeiro simbólico e acabada a ceia, deu o Senhor o Seu corpo aos discípulos, todo inteiro a todos e a cada um.

4
Dedit fragílibus córporis férculum,
Dedit et trístibus sánguinis póculum,
Dicens: Accípite quod trado vásculum;
Omnes ex eo bíbite.

Quis fortificar a nossa fraqueza com a sua própria carne e suavizar a tristeza do exílio em que vivemos com a bebida do Seu sangue e disse: Tomai este cálice que vos deixo e bebei todos dele.

5
Sic sacrifícium istud instítuit,
Cujus offícium commítti vóluit
Solis presbýteris, quibus sic cóngruit,
Ut sumant, et dent céteris.

E deste modo instituiu o novo sacrifício, cujo ministério reservou exclusivamente para os sacerdotes, aos quais assim convém, que para si o tomam e o distribuem pelos mais.

6
Panis Angélicus fit panis hóminum;
Dat panis cǽlicus figures términum;
O res mirábilis: mandúcat Dóminum
Pauper servus et húmilis.

Assim o pão dos Anjos torna-se o pão dos homens e dá fim aos velhos símbolos e figuras. Coisa para admirar realmente! Que os escravos, os pobres e os mendigos comam a carne do seu Senhor.

7
Te, trina Déitas únaque, póscimus:
Sic nos tu vísita, sicut te cólimus;
Per tuas sémitas duc nos quo téndimus,
Ad lucem, quam inhábitas.
Amen.

A Vós, Deus uno e trino, suplicamos humildemente que nos defendais na justa medida em que Vos adoramos e nos guieis por vossos caminhos a nosso fim, à morada luminosa em que habitais. Amém.
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Missal Quotidiano e Vesperal: por D. Gaspar Levebvre. Bruges: Desclée de brouwer & Cie, 1957, p. 766-767.

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