02 de Novembro: Comemoração dos Fiéis Defuntos

DA COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS
226. Por que depois da festa de Todos os Santos faz a Igreja a comemoração de todos os Fiéis Defuntos?

Depois da festa de Todos os Santos, a Igreja faz a comemoração de todos os Fiéis Defuntos que estão no Purgatório porque é conveniente que a Igreja militante, depois de ter honrado e invocado com uma festa geral e solene o patrocínio da Igreja triunfante, vá em socorro da Igreja padecente, com um sufrágio geral e solene.

227. Como podemos nós sufragar as almas dos fiéis defuntos?

Podemos sufragar as almas dos fiéis defuntos com orações, com esmolas e com todas as outras boas obras, mais sobretudo com o Santo Sacrifício da Missa.

228. Segundo o espírito da Igreja, por que almas devemos aplicar os nossos sufrágios na comemoração dos Fiéis Defuntos?

Na comemoração dos Fiéis Defuntos é muito bom aplicar os nossos sufrágios não só pelas almas dos nossos parentes, amigos e benfeitores, mas ainda por todas as outras que se encontram no Purgatório.

229. Que fruto devemos tirar da comemoração de todos os Fiéis Defuntos?

Da comemoração de todos os Fiéis Defuntos devemos tirar este fruto:

1) Pensar que também nós havemos de morrer em breve e apresentar-nos no tribunal de Deus para Lhe prestar contas de toda a nossa vida;
2) Conceber grande horror ao pecado, considerando quão rigorosamente Deus o castiga na outra vida;
3) Satisfazer nesta vida à justiça divina, com obras de penitência, pelos pecados cometidos.

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São Pio X. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, p. 290-291.

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INDULGÊNCIAS

13. Visita ao cemitério

Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório. Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias do ano será parcial.

67. Visita à igreja ou oratório na comemoração de todos os fiéis defuntos

Concede-se indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, aos fiéis que no dia da comemoração de todos os fiéis defuntos visitarem piedosamente uma igreja ou oratório.

Esta indulgência poderá alcançar-se no dia marcado ou, com consentimento do ordinário, no domingo antecedente ou subseqüente ou na solenidade de Todos os Santos.

Esta indulgência já está incluída na const. apost. Indulgentiarum Doctrina, norma 15; aqui se satisfaz aos desejos que neste intervalo se apresentaram à Sagrada Penitenciaria.

Na piedosa visita, conforme a norma 16 da mesma const. apost.,5 “se recitam a oração dominical e o símbolo dos apóstolos: Pai-nosso e Creio”.

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Manual das Indulgências: Normas e Concessões. Disponível para download em: São Pio V

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V. Misericordioso Senhor
R. Tende piedade das benditas almas do Purgatório.
V. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
R. E entre os resplendores da luz perpétua fazei que descansem em paz.
SÚPLICA A JESUS CRISTO PELAS ALMAS
Dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no horto das Oliveiras,
tende piedade das almas do Purgatório.
Dulcíssimo Jesus, pelas dores da vossa crudelíssima flagelação,
tende piedade das almas do Purgatório. 
Dulcíssimo Jesus, pelas dores da vossa coroação de espinhos,
tende piedade das almas do Purgatório.
Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes no caminho do Calvário,
tende piedade das almas do Purgatório.
Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa penosíssima agonia,
tende piedade das almas do Purgatório.
Dulcíssimo Jesus, pelas imensas dores que sentistes expirando na cruz,
tende piedade das almas do Purgatório.
Dulcíssimo Jesus, pelas últimas gotas de sangue do vosso amantíssimo Coração traspassado pela lança,
tende piedade das almas do Purgatório.

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Manual da Paróquia. Petrópolis: Vozes, 1950, p. 245-246.

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1
Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!
Dia de ira, aquele dia
Que tudo em cinzas fará,
Diz David e a Sibila.
2
Quantus tremor est futurus,
quando judex est venturus,
cuncta stricte discussurus!
Que temos há de então ser
Quando o Juiz vier
A julgar-nos com rigor!
3
Tuba mirum spargens sonum
per sepulchra regionum,
coget omnes ante thronum.
O som forte da trombeta
Entre os jazigos dos mortos
Junto ao trono os levará.
4
Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
judicanti responsura.
Todo o mundo há de pasmar
Quando a criatura se erguer
Para responder ao Juiz
5
Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus judicetur.
Um livro será trazido
No qual tudo está contido
Por onde há de ser julgado o mundo
6
Judex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit:
nil inultum remanebit.
Quando o Juiz se sentar
Todo o oculto há de aparecer
Nada impune ficará
7
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?
Que hei de eu então dizer?
A quem hei de recorrer
Se o justo não está seguro?
8
Rex tremendæ majestatis,
qui salvandos salvas gratis,
salva me, fons pietatis.
Rei tremendo em majestade
Que por favor nos salvais,
Salvai-me por piedade!
9
Recordare, Jesu pie,
quod sum causa tuæ viæ:
ne me perdas illa die.
Recordai-Vos, bom Jesus,
Que por mim do Céu descestes:
Não me percais nesse dia.
10
Quærens me, sedisti lassus:
redemisti Crucem passus:
tantus labor non sit cassus.
Por me buscar, Vos cansastes,
Em me remir padecestes:
Não seja em vão tanta dor!
11
Juste judex ultionis,
donum fac remissionis
ante diem rationis.
Juiz, justo e de vingança,
Dai-me o dom de Vossa graça
Antes que vá a juízo.
12
Ingemisco, tamquam reus:
culpa rubet vultus meus:
supplicanti parce, Deus.
Gemo e choro, como réu,
Sinto pejo do pecado;
Suplico, perdoai-me.
13
Qui Mariam absolvisti,
et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.
Vós, que absolvestes Maria
E ao ladrão não desprezastes,
Também me destes esperança.
14
Preces meæ non sunt dignæ:
sed tu bonus fac benigne,
ne perenni cremer igne.
Minhas preces não são dignas,
Mas vós que, sois bom, por clemência
Não me abandoneis ao fogo.
15
Inter oves locum præsta,
et ab hædis me sequestra,
statuens in parte dextra.
Colocai-me entre as ovelhas,
Separai-me então dos bodes,
Dai-me lugar à direita.
16
Confutatis maledictis,
flammis acribus addictis:
voca me cum benedictis.
Confundido os malditos,
Entregues ao fogo eterno,
Chamai-me com os escolhidos.
17
Oro supplex et acclinis,
cor contritum quasi cinis:
gere curam mei finis.
Peço humilde e suplicante,
De coração como a cinza,
Havei cuidado de mim.
18
Lacrimosa dies illa,
qua resurget ex favilla
judicandus homo reus.
Dia de lágrimas, esse dia
Em que do pó se erguerá
O homem, para ser julgado.
19
Huic ergo parce, Deus:
Pie Jesu Domine,
dona eis requiem. Amen.
Perdoai-lhe, Senhor Deus,
Vós que sois bom, ó Jesus,
Dai-lhes um repouso eterno. Amém.
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Missal Quotidiano e Vesperal: por D. Gaspar Levebvre. Bruges: Desclée de brouwer &Cie, 1957, p. 1717-1718.